A mala branca é um perigo para o futebol.

mala brancaCom as disputas cada vez mais acirradas pelo título, pelas vagas na Libertadores e contra o rebaixamento, tem muito clube oferecendo incentivo financeiro aos adversários dos seus concorrentes. Há quem não veja mal nenhum nisso, pois o incentivo é pela vitória. Mas, há quem entenda ser esta prática contrária à moral desportiva.

Eu entendo que se essa prática ficar mais comum e mais frequente pode ser perigosa para o futebol. No atual campeonato brasileiro temos muitos clubes brigando por posições, então temos muitos querendo incentivar outros. O risco é ver os atletas de clubes que não disputam mais nada empenhando-se apenas quando houver incentivo material.

Ora, o objetivo do esporte é vencer, o atleta entra na disputa para ganhar. Teoricamente a mala branca não deveria ter efeito, pois os atletas já estão empenhados na vitória. Mas, a verdade é que um empurrão ajuda a motivar os jogadores e pode ser um combustível a mais para o time.

O medo que eu tenho é que os atletas fiquem “viciados” nesse incentivo e se empenhem apenas quando houver promessa de recompensa. Isso prejudicaria principalmente os clubes menos favorecidos, que não teriam condições de enviar mala branca a outros times. Em um cenário como esse o poder financeiro seria determinante para as vitórias, o que é inaceitável.

O Campeonato Brasileiro é competitivo e equilibrado. Se o oferecimento de dinheiro por vitórias continuar quem perderá mais será o próprio campeonato.

Debate Blog

O programa Debate Blog, em sua 20ª edição, tem como assunto a reta final do Campeonato Brasileiro para os clubes pernambucanos.

Marcelo Cavalcante, editor do Blog do Torcedor, Adethson Leite, do Blog dos Números, e Fernando Tasso, do Blog Extracampo, falam do iminente rebaixamento do Sport, analisando o discurso do presidente Sílvio Guimarães, e da luta do Nautico para escapar da degola.

Filmagem e edição: Breno Pires/Blog do Torcedor.

Sport: com o rebaixamento iminente é hora de planejar 2010.

Depois da derrota por 3 a 2 para o Náutico no último domingo, o Presidente do Sport, Sílvio Guimarães, deixou claro que o rebaixamento é inevitável e que o clube deve começar a pensar na próxima temporada. Algo que, infelizmente, eu já anunciava. O Sport foi rebaixado ainda no primeiro turno, quando marcou apenas 13 pontos.

“Conversamos sobre o planejamento para a  próxima temporada. Temos que reduzir nossos gastos. Avaliamos os atletas que não estão sendo utilizados. Também conversamos sobre alguns problemas administrativos”, disse o presidente, sem informar mais detalhes.

Concordo com o dirigente, é hora de começar a pensar no próximo ano. Dizer que ainda existem chances matemáticas e que o clube irá buscar até o fim é se iludir. Apesar de matematicamente ser possível, a realidade não indica que o Sport vá fugir da degola.

Se é assim, se a queda é inevitável, é bom mesmo se preparar para 2010. O elenco rubro-negro é grande e caro, incompatível com a realidade que o clube terá no próximo ano. Manter uma base pode ser uma boa ideia, pode ser um passo para o retorno à elite. Mas o time precisa de renovação, precisa de um novo gás.

Muitos atletas encerram seu contrato já no fim do ano, alguns com certeza não irão renovar, outros talvez fiquem. Vários atletas, porém, têm contrato até o próximo ano, o que dificulta a reformulação do elenco. Uma coisa é não renovar, outra coisa é ter que demitir. O Sport precisa se cuidar para não criar novas dívidas como as que afogaram as finanças do time nesse ano.

Minha maior dúvida é quanto aos próximos meses. Tudo indica que o clube irá dispensar muitos jogadores nos próximos dias, já para enxugar as despesas no final do ano. Afinal, não há motivo para manter um elenco caro sem disputar mais nada.

Outra dúvida é quanto ao treinador, que já dizem não permanecerá para 2010. O valor do salário deve ser um impeditivo para que Péricles Chamusca permaneça na Série B. Mas, se o Sport pensa em planejamento, deveria começar a analisar quem será o comandante no próximo ano.

Não podemos esquecer que apesar do rebaixamento no Campeonato Brasileiro, o Sport foi tetra-campeão estadual e deve buscar a continuidade do título para atingir a meta de igualar o feito do Náutico, o hexa-campeonato.

Audiência do Corinthians

A medição da audiência do Campeonato Brasileiro tem revelado algumas surpresas. Primeiro os números da Globo estavam em queda, enquanto na Band estavam em alta. Agora, um jogo “nada a ver” entre Vitória e Corinthians é recorde de audiência. Alguém explica?

O crescimento da audiência da Band em detrimento da Rede Globo pode se justificar pela simpatia que alguns têm pelos comentaristas da Band, ou pela antipatia com os narradores da Globo. Fato é que, ao que tudo indica, tem gente mudando de canal na hora do futebol.

O que eu não entendi foi a audiência recorde, 30 pontos, para o jogo entre Vitória e Corinthians, que além de não valer coisa alguma para o desfecho do campeonato, acontecia na mesma hora de São Paulo e Internacional, em confronto direto pelo título.

Tudo bem que a torcida do Corinthians é grande e a audiência é medida em São Paulo, mas achar que é a torcida do Timão responsável por tudo isso (o aumento da audiência de Neto, comentarista da Band, e o recorde em um jogo sem sal) talvez seja moral demais. Mas, ao que tudo indica, é iso mesmo.

Fato é que as maiores audiências são mesmo do time de Ronaldo. A maior de todas é a final da Copa do Brasil. Talvez a audiência explique a escolha das emissoras em transmitir os jogos do Corinthians no lugar de partidas mais interessantes para o campeonato.

Fonte: Máquina do Esporte

Da multa aos atletas profissionais de futebol

O empregado comum pode ser advertido, suspenso, ou até mesmo demitido por justa causa, mas não pode ser multado. Exceção a isso é o caso do atleta profissional de futebol, segundo o art. 15 da Lei 6.354/76. Muitos entendem que esse dispositivo foi revogado pela Constituição de 1988 (art. 7º, VI – irredutibilidade do salário), o que torna ilegal a aplicação dessas multas.

Há, porém, uma corrente doutrinária, na qual me incluo, que entende que a multa é, ou deveria ser, legítima. Isso porque a natureza patrimonial da relação laboral desportiva implica numa rara utilização da suspensão ou do despedimento por justa causa como forma de punir o atleta indisciplinado.

O valor que têm os praticantes desportivos para os clubes faz do despedimento uma punição inadequada aos atos de indisciplina. Quando o empregador é obrigado a punir seu empregado, deve recorrer a outras sanções, pois o despedimento, ou mesmo a suspensão, acabam se tornando punições masoquistas, uma vez que prejudicam o próprio clube.

O valor da multa, porém, não pode ser revertido em favor do clube. Segundo o art. 57, IV, da Lei 9.615/98, a multa deverá ser destinada à Federação das Associações de Atletas Profissionais – FAAP. Se o clube desconta um percentual do salário do atleta a título de sanção disciplinar, este valor não pode ficar nos cofres do clube, sob pena de incorrer em enriquecimento ilícito.

No fim, também é preciso definir o que é uma falta laboral (ato de indisciplina, insubordinação, faltas, atrasos, etc.) e separá-la da falta desportiva, mesmo que às vezes elas se confundam. A falta laboral pode ser punida pelo empregador, mas não é toda falta de jogo, mesmo as que levam à expulsão, que podem ser consideradas como faltas laborais.

Devemos lembrar que o atleta trabalha e toma decisões no calor de uma disputa e que o treinador, dirigentes e torcedores pedem combatividade e uma certa dose de agressividade, o que somado à diversidade de interpretações dos árbitros gera um ambiente perigoso para definir o que é falta de jogo e o que pode ser punido.

Esse é um tema controverso e que exige um debate maior. É hora de se pensar e definir até onde vai o poder disciplinar do clube. Punições em demasia ou sem critério podem gerar insegurança nos atletas, afetando suas decisões dentro de campo.

Debate Blog

Violência no Rio é destaque na imprensa mundial.

As cenas de violência no Rio de Janeiro, em especial a queda do helicóptero da PM, correram o mundo. Agora, todos se perguntam: “o Rio de Janeiro tem mesmo condições de sediar os Jogos Olímpicos de 2016?”

O projeto da cidade esteve o tempo todo voltado à infra-estrutura, desde as instalações esportivas a serem construídas até a ampliação do metrô e urbanização das favelas. Mas, há um problema que não se resolve com obras de engenharia, a violência.

Se o Rio de Janeiro quer ser sede dos jogos e ainda quer passar uma boa imagem da cidade e do país para os turistas, a principal preocupação deve ser com a segurança. Mas, esse não é um problema de fácil nem rápida solução. Para conseguir mudar o panorama atual é necessário desenvolver um projeto e colocá-lo em prática o mais rápido possível.

Não se pode pensar em “trégua” com os traficantes durante o evento, como ocorreu no PAN de 2007. A violência é um problema que precisa ser resolvido e não contornado. O Brasil, em especial a cidade do Rio de Janeiro, deve aproveitar a oportunidade, os investimentos, para realmente acabar com a “guerra civil” que já está instalada há anos.

Vendo as imagens da violência a gente pensa: “será que o COI se arrependeu da decisão?”

Inscrição para o I Seminário Pernambucano de Direito Laboral Desportivo

Será realizado na próxima sexta-feira, dia 23 de outubro, o I Seminário Pernambucano de Direito Laboral Desportivo. O evento é gratuito, mas você pode doar um kg de alimento que será repassado ao GAC. As vagas são limitadas, garanta a sua, envie um email e solicite a ficha de inscrição.

FOLDER VIRTUAL

Debate Blog

Na 18ª edição do Debate Blog, os assuntos são a seleção brasileira sub-20, finalista do Mundial de sua categoria, que está sendo disputado no Egito, e os clubes pernambucanos no Campeonato Brasileiro na Série A.

Apresenta o programa Breno Pires/Blog do Torcedor, com os debatedores Fernando Tasso/Blog Extracampo e Adethson Leite/Blog dos Números.

O sucesso da Copa do Mundo Sub-20

Mundial Egito Sub-20A Band registrou uma audiência maior no jogo entre Brasil e Alemanha pelo mundial sub-20 do que na partida da seleção principal frente a Bolívia. Os números da audiência são a comprovação do que todos já estavam sentindo, o sucesso do campeonato mundial para atletas até 20 anos de idade.

Antigamente, essas competições envolvendo seleções de base eram repletas de aspirantes a profissional, atletas que ainda estavam em formação e buscavam um lugar ao Sol. Agora, a realidade é outra, esses jogadores são jovens profissionais, alguns já bem experientes. A maioria é titular no clube onde joga e já está habituada a grandes partidas.

Outro ponto que justifica o sucesso da seleção sub-20 é a identificação com os clubes brasileiros. A maioria dos jogadores atua no Brasil, em clubes como o Internacional, o Vasco e o Sport Recife. Com isso, tem muito torcedor que assiste o jogo para ver os atletas do seu clube brilhando com a camisa amarela.

Esse campeonato é, também, a oportunidade de ver os jogadores que futuramente vestirão a camisa da seleção principal e disputarão uma Copa do Mundo. Assistindo aos jogos da seleção sub-20 nós já temos uma ideia de como será o futebol brasileiro daqui a alguns anos.

Quem também está de olho são os olheiros e dirigentes de clubes europeus, que já vêem nos jovens brasileiros os futuros craques do seu time. Para os clubes brasileiros é a vitrine dos seus atletas, que inevitavelmente serão negociados para a Europa, mas que, em compensação, renderão boas cifras aos cofres brasileiros.

Acompanhem nessa sexta-feira Brasil x Gana, a final da Copa do Mundo Sub-20 no Egito.