A violência nos estádios

Os olhos do povo e das autoridades têm se voltado para o problema da violência nos estádios de futebol. Mas, enquanto os torcedores pedem medidas para resolver o problema, o governo vem com propostas isoladas e ineficazes.

O erro é pensar que uma medida, ou duas, poderá resolver o problema. O erro é permanecer na base do “achismo” e propor medidas paliativas que não resolverão a questão.

Na Inglaterra, onde se sofreu muito mais com a violência das torcidas, a solução veio de um relatório. Primeiro foi o “Relatório Popplewell”, que sugeria medidas rígidas, mas que não tiveram efeito. Depois veio o “Relatório Taylor”, que foi a base do governo para orientar as medidas que, finalmente, contiveram a violência no Reino Unido.

O Brasil precisa de um relatório, de um estudo minucioso, com pesquisas acadêmicas, investigações policiais e análises científicas. Só com uma base teórica sólida será possível determinar as melhores medidas para solucionar o problema. Propor leis isoladas, sem desenvolver um conjunto de ações integradas, não mudará a situação.

Precisamos de uma lei específica sim, mas só ela não resolve. Precisamos de punições severas sim, mas só isso não basta. Ações isoladas não terão resultado. Proibir o álcool, as torcidas organizadas, a entrada de menores, nada disso será suficiente sem um conjunto de medidas sérias. O Brasil precisa de uma revolução, uma mudança significativa e não paliativos sem fundamento.

Precisamos de: lei específica, policiais preparados, estádios estruturados, punições aos vândalos, identificação dos criminosos, retirada dos alambrados, assentos numerados, punições a dirigentes que incitam a violência, etc.

Contudo, não podemos esperar que o poder público resolva sozinho esse problema. Os clubes e federações, maiores prejudicados pela violência, precisam agir. O clube pode, por exemplo, cadastrar torcedores, proibir a entrada daqueles punidos pela justiça, usar segurança privada, circuito de TV, etc.

Os clubes devem ser os primeiros a buscar soluções para o problema da violência. É dever do Estado zelar pela segurança dos cidadãos, mas, não podemos ficar de braços cruzados esperando a solução. Se escolhemos não fazer nada, então assumimos toda a culpa.

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