Salários inflacionados.

Um fenômeno tem me chamado a atenção nos últimos tempos, especialmente neste ano: a SUPERINFLAÇÃO dos salários de alguns atletas. Alguns jogadores e treinadores recebem salários que estão completamente fora da realidade do nosso país e, principalmente, dos nossos clubes.

A briga para ter os melhores jogadores no elenco faz com que alguns clubes ofereçam salários astronômicos a jogadores e treinadores, comprometendo-se com uma folha salarial, muitas vezes, maior do que a receita do clube.

O repatriamento de atletas de alto nível inflacionou consideravelmente um mercado que já estava acima do limite. Ronaldo e Fred são os principais exemplos de atletas acima da média que retornam ao Brasil ganhando fortunas de seus novos clubes. À essa turma se juntará o Adriano, que deve ganhar cerca de R$ 500 mil no Flamengo.

Logo o Flamengo, clube mais endividado do Brasil, que outro dia mesmo estava dizendo: “Não tem mais dinheiro”. Logo o Flamengo, que perdeu Marcelinho Paraíba por não lhe pagar os salários, e ainda deve a vários jogadores. Que está sem patrocinador. Que deve milhões ao Estado. Como vai pagar um salário tão alto a um único jogador?

Mesmo que haja um investidor se responsabilizando pelo pagamento dos salários, manter um equilíbrio financeiro é dever dos dirigentes dos clubes. No contexto atual, onde se fala tanto em profissionalismo, uma gestão responsável passa, essencialmente, pelo controle do orçamento, principalmente com relação aos jogadores.

Vejam, por exemplo, o caso do Santa Cruz. Por que o clube está diminuindo os salários e reformulando elenco? Porque o presidente quer manter as contas dentro da realidade, porque não quer deixar dívidas, porque quer ser um exemplo de administrador responsável e profissional. Outro no lugar dele poderia ter mantido o elenco se endividando completamente e deixando o “pepino” para o sucessor, como tantas vezes aconteceu.

O Brasil vive um momento crítico, de transição do amadorismo para o profissionalismo. Infelizmente, a inflação nos salários, causada por esses mesmos dirigentes, está servindo como âncora para nos manter na era do amadorismo.

Responsabilidade é isso, não gastar mais do que recebe. Só espero que a irresponsabilidade dos dirigentes não se torne um fardo para nós brasileiros, pois o Estado não pode nem deve arcar com a incompetência dos cartolas.

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