Debate Blog 10

Apresentado hoje por Breno Pires, o Debate Blog conta com as presenças habituais de Adethson Leite e Fernando Tasso. Em pauta o futebol brasileiro, destaque para o Santa Cruz e a sua luta na Série D.

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Lula quer PROIBIR a “venda” de jogadores no meio do ano.

O presidente Lula, famoso por dar pitacos também em assuntos futebolísticos, vem afirmando os maiores absurdos em nome da sua paixão pelo Corinthians. Sim, porque foi só o Timão perder jogadores para a Europa que o presidente resolveu soltar o verbo para a imprensa. Vejam o que disse Lula:

– Nós estamos vendo os nossos jovens saírem daqui com 17 anos de idade e voltarem com 32 para jogarem no Brasil, ou seja, no auge da carreira eles estão jogando no exterior. Do ponto de vista da realização individual, profissional, é correto. A meninada precisa ganhar dinheiro mesmo, a profissão é muito curta. Mas o que nós não podemos é que, além de a gente perder os nossos craques, no meio do campeonato abre a janela dos países europeus e os times que estão disputando vendam seus jogadores. O Cruzeiro perdeu o Ramires no auge da disputa da Libertadores. O Corinthians foi campeão paulista invicto, campeão da Copa do Brasil, está pensando na Libertadores… (Mas) desmonta o time e perde quatro jogadores em um final de semana”.

Até aí, tudo bem, mas a conclusão do presidente:

“Ou tem uma lei proibindo a venda de jogadores no meio do campeonato, ou você muda o calendário brasileiro para que (ele) seja compatível com a abertura de janelas do mercado externo. Alguma coisa nós vamos fazer”.

Primeiro, Lula se esquece que jogadores de futebol não são coisas, não podem ser vendidos ou comprados, são trabalhadores que se transferem por livre e espontânea vontade. Lula rasga a Constituição ao querer proibir a saída dos atletas do Brasil, restringindo a liberdade de trabalho e de locomoção. Essa lei seria, inevitavelmente, inconstitucional.

Além dessa lei inconstitucional, querer que o governo interfira nas normas desportivas é atentar contra tudo o que a FIFA defende, que é a não ingerência dos poderes públicos no esporte. Isso poderia, inclusive, resultar em punições à CBF. Se precisamos adequar o calendário ou mudar os períodos de transferência, cabe à CBF tomar tal atitude. Lembrando que a Constituição Federal também prevê às entidades desportivas autonomia de organização e funcionamento.

O problema do nosso futebol não é falta de lei ou mecanismos para proteger os clubes, esse mecanismo já existe, é a cláusula penal. Os jogadores querem sair, querem jogar nos melhores clubes europeus e os nossos clubes querem que eles saiam, pois precisam dessa verba vinda da cláusula penal. Só quem acha ruim são os torcedores, infelizmente.

O Brasil só estará protegido contra os assédios dos clubes europeus quando a nossa moeda for compatível com o euro e quando os nossos clubes tiverem uma saúde financeira onde não necessitem mais da transferência para pagar dívidas.

Obs.: Peço desculpas ao Lula pelas duras palavras, reconheço que fui um pouco radical. Mas, entendam melhor o que eu quiz dizer lendo o post Palmeiras veta a saída de jogadores.

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Santa Cruz: a cartada final.

A situação do Santa Cruz não é nada boa. Em último lugar do grupo na Série D, o tricolor precisa vencer o CSA, no Arruda, e torcer para que o Central vença o Sergipe fora de casa. As chances são pequenas, mas o torcedor coral não deixa de acreditar e a diretoria joga as últimas cartas para conseguir o sucesso.

O presidente do Santa Cruz, Fernando Bezerra Coelho, reuniu-se com o presidente da Federação Pernambucana de Futebol e o presidente do Central para pedir que o clube caruaruense se empenhe em conquistar essa vitória. Como incentivo, os tricolores ofereceram R$ 100 mil à patativa para que atinja o objetivo. Além disso, o Santa contratou o jogador Paulo Rangel, do Salgueiro.

Na minha opinião, o incentivo ao Central é válido, mas cobrar seriedade e impor ao Central uma obrigação que ele não tem é absurdo. O Central não deve nada ao Santa, que está nessa situação por culpa própria. O Santa Cruz não venceu em casa e só tem uma vitória na competição, logo na estréia, contra o CSA. Se o Santa Cruz não se classificar não pode culpar o Central. O Central vai buscar o resultado porque também quer se classificar, a ajuda financeira é só mais um incentivo, mas não se pode misturar a responsabilidade de um clube com a do outro.

Quanto à contratação de Paulo Rangel, parece atitude de desesperado. Contratar um jogador por três meses (mínimo permitido por lei) para tentar “salvar” o clube em uma partida é absurdo. Paulo Rangel mal terá tempo de treinar, de ganhar entrosamento ou até mesmo de ser regularizado, mesmo assim, apostam no jogador. Será ele o salvador da pátria? E será que essa pressão sobre um atleta é justa?

O torcedor tricolor tem que acreditar até o último minuto, mas não é mala preta nem contratação emergencial que irá salvar o clube. Infelizmente, se o Santa Cruz não passar, terá que culpar apenas a si mesmo.

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