Os erros do Santa Cruz.

Não quero ser um “engenheiro de obra pronta”, aquele que depois de tudo vir abaixo aponta os erros cometidos. Também não quero aumentar o sofrimento do torcedor criticando o clube sem fundamentos. Quero apenas destacar alguns pontos importantes dessa temporada coral.

A eleição de Fernando Bezerra Coelho foi a injeção de ânimo que o torcedor coral, sempre otimista, precisava. Ele, sem conhecimento das peculiaridades do futebol, tomou a atitude mais correta de sua gestão, contratou um diretor de futebol profissional, com conhecimento do mercado, o Luiz Antônio Ruas Capela.

Junto com Márcio Bitencourt, Capela montou um excelente time para a disputa do estadual. O time tinha boa estatura e uma impressionante força física, parecia ser esse o perfil dos contratados. O Santa, então, fez um ótimo papel no estadual, uma campanha, até certo ponto, surpreendente. Todos tinham a certeza de aquele time subiria para a Série C. E com aquele perfil, estatura, força física e experiência, era mesmo muito provável que conquistasse o sucesso.

Então veio a crise, o orçamento já não era o mesmo e o clube precisava cortar as despesas. Nesse ponto não se pode criticar demais a diretoria, que  foi responsável ao adequar o orçamento à nova realidade. Mas,  começou por onde não devia, tirando Capela e Bitencourt, os responsáveis pela montagem do elenco. Acharam, talvez, que o trabalho já estava pronto e que podiam tocar o barco dali. Mas, se enganaram, pois os jogadores que vieram substituir os valorizados (esses saíram porque tinham condições de disputar competições melhores que a Série D) não tinham aquele perfil (altura, força e experiência).

O maior erro, talvez, tenha sido apostar em Sérgio China, um treinador iniciante. Naquele momento, o Santra Cruz precisava de um comandante com experiência e pulso firme (algo na linha de Givanildo Oliveira). As contratações para a Série D não foram tão boas quanto aquelas do começo do ano e o tempo de preparação (os amistosos) já denunciavam a falta de qualidade no plantel.

Critiquei Aderval Barros quando ele disse que Sérgio China deveria sair logo no começo da competição. Mas, talvez ele estivesse certo, afinal, trazer Bitencourt para dois jogos (precisando de um milagre) não funcionou. Trazer Paulo Rangel para um jogo apenas, também não funcionou. Os erros e as carências deveriam ter sido identificadas na fase de preparação. A Série D é curta, não dá espaço para mudanças no meio do torneio.

A diretoria tem seus méritos, a reforma do estádio, o pagamento de dívidas, a criação do Santa Fidelidade, dentre outras iniciativas. Mas, infelizmente, o objetivo principal, subir de divisão, não foi atingido e a diretoria ficará marcada por isso.

O bom do futebol é que a cada ano temos a chance de tentar de novo. Bola pra frente.

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8 Respostas

  1. Não tem nada a ver com o santa. Se um clube tem duvidas de qual divisão ele vai jogar no proximo ano, ele pode renovar o contrato de alguns jogadores com uma cláusula de um salario x caso permaneça na serie a e um salario y se cair pra serie b? Isso é juridicamente possível? Quais as implicações disso?

  2. Julinho, existe a possibilidade de se prever uma cláusula de redução salarial caso o time seja rebaixado. Isso é plenamente possível na Espanha e em Portugal. Eu entendo ser possível também no Brasil, mas acredito que sou minoria. Segundo a Constituição o salário é irredutível, então…

    TASSO

  3. Realmente tem esse problema com a constituição mas será que se olharmos o salário do jogador como volátil mudaria alguma coisa? Não sei explicar. Tasso, você que está mais por dentro poderia me dizer?

    Não existe piso nem teto salarial de jogador. Geralmente, recebe de acordo com sua produção em campo. Poderia ser encarado como um prestador de serviços ao Clube?

  4. Fernando, desculpe insistir. Não falo de redução de salário. Vou dar um exemplo. O Náutico tem um jogador chamado Sebastião. O contrato dele acaba em dezembro. O Náutico não sabe se joga na A ou na B em 2010. Ele pode fazer um contrato com Sebastião agora em agosto, dizendo que se não cair, paga um salário de X, se cair paga um salário de y. Nesse caso não haveria redução de salario e sim um contrato novo, com alternativas para duas situações diferentes a vigir a partir de janeiro. O que você acha?

  5. Luiz, de forma alguma. O jogador é trabalhador sim, o mínimo é o legal (salário mínimo). Nem todo contrato é por produtividade. A remuneração consiste em salário e outras variáveis.

  6. Julinho, entendi seu questionamento. Mas, a partir do momento que você assina contrato com o jogador deve estar prevista a remuneração. Não da para estabelecer duas remunerações diferentes, uma para a série A e outra para a B. Afinal, esse contrato entraria em vigor nesse ano. E o contrato do jogador de futebol segue um padrão da CBF, devendo ser registrado para que o atleta tenha condição de jogo.

  7. E se fosse feito um contrato de gaveta? so dando entrada no fim do ano?

  8. Julinho, isso é o que muitos clubes fazem. Mas isso é fraude. Se o clube incluir depois uma data diferente da que foi assinado o contrato, pode, inclusive, estar cometendo o crime de falsidade ideológica.

Comentários encerrados.

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