Vai Gilmar, faz tua vida!

Eu estava esperando a confirmação da transferência de Gilmar para comentar o assunto. Mas, esse texto, apesar de falar sobre Gilmar, aplica-se a quase todos os jogadores brasileiros. Não há, portanto, um momento mais oportuno para discutir o assunto senão agora.

Quando ainda existia o passe, o atleta era quase uma propriedade do clube, o que facilitava o poder de impedir a transferência do jogador. Na época do passe o atleta tinha direito a 15% da verba. Mas hoje o sistema é diferente, em vez do passe existe a cláusula penal, os direitos federativos e direitos econômicos (outra hora eu explico a diferença entre os dois).

Hoje, para o atleta poder lucrar com a transferência é preciso que ele tenha parte dos direitos econômicos. Isso nada mais é do que uma participação sobre o valor da cláusula penal. A nova realidade é a dos agentes e jogadores ficando com parte desses direitos econômicos, reduzindo o que cabe ao clube. Assim, o clube só pode impedir a transferência do atleta até o limite da sua participação na cláusula penal (no caso do Náutico, 40%).

Gilmar, então, terá direito a bem mais do que aqueles 15% que a Lei do Passe previa. O lucro que o jogador terá nessa transferência é significativo. Mas, além do aspecto financeiro que envolve essa negociação, precisamos pensar pelo lado profissional e pessoal. Profissionalmente, jogar na segunda divisão da França pode não ser tão vantajoso, mas no lado pessoal a diferença é enorme.

Gilmar terá a chance de fazer o que a maioria dos brasileiros, jogadores de futebol ou não, gostariam, morar na Europa, mais precisamente na França. É a chance não só de atuar no futebol europeu, mas de viver em um país de primeiro mundo, conhecer outra cultura, outra língua, outro povo. É a chance, principalmente, de viver com outra qualidade, com menos violência, menos corrupção, menos lixo nas ruas, dentre tantas outras vantagens de se viver na Europa.

Esqueçam por um momento que Gilmar é um jogador de futebol. Esqueçam também que ele vai lucrar milhões com a transferência, mas lembrem da chance que ele terá de mudar de vida. Agora me diga: você não faria o mesmo?

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2 Respostas

  1. Se eu fosse jogador faria o mesmo.

  2. Ambos os lados sairão ganhando, e ainda, o Náutico poderá sair ganhando futuramente, visto que o clube ainda será detentor de 10% do passe do atleta.

Comentários encerrados.

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