Ex-atleta como “monitor” esportivo.

O Projeto de Lei 5186, que propõe alterações à Lei Pelé (Lei 9.615/98), possui um dispositivo que tem gerado polêmica, principalmente entre os profissionais de educação física. Segundo o Art. 90-E os ex-atletas com mais de três anos de prática serão, automaticamente, considerados monitores da respectiva modalidade esportiva.

“Art. 90-E Todo ex-atleta que tenha exercido a profissão durante, no mínimo, três anos consecutivos, ou cinco anos alternados, será considerado, para efeito de trabalho, monitor na respectiva modalidade desportiva.”

Claro que os profissionais de educação física, que estudam durante anos e se qualificam para exercer a profissão, viram-se prejudicados pela medida. Eles sustentam que a simples prática esportiva não faz com que o atleta adquira conhecimento necessário, principalmente nas questões científicas, para exercer a atividade de treinador ou monitor.

É importante lembrar que a Lei 6354, de 1976, que ainda possui artigos em vigor, já determinava o mesmo em relação ao futebol:

Art . 27 Todo ex-atleta profissional de futebol que tenha exercido a profissão durante 3 (três) anos consecutivos ou 5 (cinco) anos alternados, será considerado, para efeito de trabalho, monitor de futebol.

Entendo que o dispositivo deve ser analisado por duas óticas diferentes: a primeira é a capacidade técnica de ex-atletas para serem monitores esportivos em detrimento dos profissionais qualificados, mais especificamente os formados em curso superior; a segunda é a carência de profissionais, especialmente treinadores ou monitores, em modalidades olímpicas de pouca exposição.

A regra da lei deve ser vista com cautela, mas é bom lembrar que monitor não é treinador e a competência de cada um deve ser bem definida. Entendo que os profissionais de educação física devem ser valorizados e devem ter preferência para o exercício da função, mas também que esportes menos praticados necessitam desses monitores, que podem ajudar no crescimento do esporte.

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14 Respostas

  1. Entendo o seu comentário, mas não posso dizer que concordo, um atleta não deve ser considerado monitor esportivo…
    Seria o mesmo dizer que um paciente em tratamento crônico poderia “aprender” todo o procedimento realizado e depois sair aplicando na qualidade de médico, ou mesmo um monitor de medicina… Imagina a confusão que seria!
    Pior ainda quando tratamos de iniciação esportiva, pois é lógico que essa fase primordial é uma das mais delicadas da aprendizagem e assimilação do esporte.
    Sem mais…
    Ricardo

  2. Completando…
    E sobre a carência de profissionais, talvez não seja bem assim. Todos os anos temos milhares de novos profissionais no mercado. E esse é um campo que não para de crescer, diversas faculdades são criadas e hoje EF é um dos cursos mais cotados a quem presta vestibular… Mas, falar de qualificação também é falar em remuneração mais alta. Caso isso seja realmente efetivado o que compensará mais: contratar um monitor com um salário menor ou um professor formado e especializado?

  3. Essa nova lei irá prejudicar muitos professores e técnicos que passaram anos estudando para obter uma formação academica de qualidade, obtendo um conhecimento cientifico no qual os “monitores” não terão. Da mesma forma que não é justo, só porque é um ex-atleta e tem um certo tempo exercendo o desporto não quer dizer que seja capaz de lhe dar com todas as adversidades de um treinamento desportivo. Hoje me surigiu um dúvida. Será que os “monitores” tambám poderão exercer na área da educação física escolar?

    Juntamente com minha resposta deixo essa dúvida e se possível gostaria que alguém a respondesse. Obrigado.

  4. eu acho muito justo pois na verdade este cargo sempre existiu principalmente na minha modalidade que é a musculação a qual pratico e exerço a mais de 18 anos e tenho que manter em minha academia profissionais formados em universidades pra cumprir uma exigencia de uma lei que esqueceu de obrigar as universidades a formar bons profissionais, pois todos que passam por mim aprendem muito mais comigo do que aprenderam na universidade fico até bestificada com certos “PROFESSORES DE EDUCAÇÃO FISICA”, nos já eramos bem antes deles e na verdade esse curso deveria se tornar tecnico e com duração no maximo de 2 anos e meio,seria uma boa oportunidade para pessoas realmente interessadase m aprender e nós deixariamos de ter visitas constantes do cref/ que tem o seu interesse voltado mas pra grana das taxas absudas do que a propria fiscalização.
    pois se é pra formar um profissional que eu vou ter que reeduca-lo depois…

  5. Ricardo, concordo com a sua preocupação, principalmente no que diz respeito a jovens aspirantes a atletas. Entendo que a qualificação do profissional de Educação Física é essencial para a saúde dos atletas. Mas, apesar do curso de EF estar bastante concorrido e muitos profissionais estarem se formando, ainda são poucos que se dedicam a esportes olímpicos. Enquanto temos academias e “personal trainers” à vontade, faltam professores de atletismo, salto com vara, handebol e outros tantos esportes. Não defendo a criação automática dos ex-atletas monitores, mas a utilidade que eles podem vir a ter se forem bem trabalhados. O monitor não pode substituir o professor de educação física, mas pode ajudá-lo.

    Saudações,
    Fernando Tasso

  6. Adonai, os monitores não poderão substituir professores de educação física nas escolas. Da mesma forma, esses monitores não podem ter a mesma atribuição de profissionais de EF, que estudam e se qualificam. Não concordo totalmente com a figura do monitor, principalmente nessa transformação automatica de ex-atleta em monitor. Mas, acredito que, se bem explorados e subordinados a profissionais de EF qualificados, esses monitores podem ser de grande ajuda em esportes olímpicos pouco praticados.

    Saudações,
    Fernando Tasso

  7. Silvia, em todas as profissões a vivência prática acaba ensinando mais que as Universidades. Eu mesmo como advogado sinto que aprendi muito mais no dia-a-dia do escritório de advocacia do que na Faculdade de Direito. Mas, o conhecimento científico adquirido na Universidade é essencial para dar base ao profissional e para que ele seja qualificado. A figura do monitor pode ter utilidade, mas deve ser vista com ressalvas e não pode substituir o profissional de EF. A presença de monitores em uma academia de musculação pode ser util, mas deve estar subordinada a profissionais qualificados, devidamente formados em curso superior. Afinal, não é qualquer pessoa que malha por 3 anos que pode ser considerada monitor. É preciso pensar em qualificação para essas pessoas. A idéia pode ser mesmo um curso técnico, para que os que já têm vivência prática possam adquirir conhecimento científico e se qualificarem para ser monitores de verdade.

    Saudações,
    Fernando Tasso

  8. eu sou estudante de EF e sou totalmente contra essa lei fui atleta 7 anos profissinalmente e me sinto totalmente despreparado para ser um munitor só quem faz um curso desse tem a capacidade de trabalhar qualquer pratica esportiva . agora me admira muitos falarem q o curso de EF tem q ser um curso profissionalizante todos falam q a educação no Brasil tá precária e vem alguem com essa lei éé um “ABSURDO” pk esses atletas não pode fazer esse curso?? Preguiça?? , incapacidade?? por isso q tem varios profissionais desqualificados no mercado de trabalho … tem q encentivar o ensino a educação … não uma VERGONHA q éé essa lei …

  9. ENTÃO JÁ QUE É PARA SEGUIR ESSA LINHA, EU POSSO SER MONITOR GINECOLÓGICO, TENHO MAIS DE 6 ANOS DE PRÁTICA.
    POSSO SER MONITOR DE CAMINHADA, HÁ 23 EU CAMINHO.
    POSSO SER MONITOR GASTRONÔMICO HÁ 23 ANOS ME ALIMENTO.
    POSSO SER MONITOR DE CONTABILIDADE, HÁ 10 ANOS EU TENHO CONTROLE SOBRE O QUE GANHO E GASTO.
    POSSO SER MONITOR DE CANDIDATO, SÓ TENHO QUE APRENDER A NÃO FAZER NADA E QUANDO ENJOAR INVENTO UMA LEI PARA PREJUDICAR O POVO E ROUBAR NA CARA DE PAU E SEMPRE SE FAZER DE DESENTENDIDO.
    TOMARA QUE O SENADOR MARCELO CRIVELLA CONSIGA DERRUBAR ESSA LEI E TODOS DA EDUCAÇÃO FÍSICA DEVEMOS NOS UNIR, PORQUE É SEMPRE A EDUCAÇÃO FÍSICA QUE É VISADA PARA SER PREJUDICADA.

  10. Realmente não acredito que seria justo com todos os profissionais que lutaram para se formar, que passaram noites estudando, fazendo trabalhos, além de gastar meses fazendo monografia. Silvia, sinto muito se os profissionais que passaram por você não tenham honrado nossa profissão, mas é injusto generalizar, pois em todas as profissões há bons e maus profissionais. Amo minha profissão, respeito o corpo e a mente de todas as pessoas que dependem de mim para ter uma melhor qualidade de vida, assim o prometi em meu juramento. Nossa valorização depende de nós mesmos. Para finalizar, atleta é atleta, profissional de Educação Física é profissional de Educação Física.

  11. Eu já tenho o diploma de tecnico de desporto de futebol de segundo grau, deste de 1979, reconhecido pelo MEC/GDF
    OBS. SOU EX-ATLETA PROFISSIONAL DE FUTEBOL

    COMO FICA A MINHA SITUAÇÃO NO MOMENTO

    AMAURI DE BRASILIA.

  12. Amauri, sua situação não muda. E aviso aos interessados que essa proposta do monitor dificilmente será aprovada, existe muita mobilização contrária.

    Saudações,
    Fernando Tasso

  13. No meu caso como fica o meu diploama de tecnico de futebol

    AMAURI DE BRASILIA

  14. Pessoal. Nao vamos querer misturar MEDICINA com EDF !
    Ricardo.Não queira opniar e dar exemplos de difenrentes disciplinas. sabemos que exige uma grande diferença entre elas. ENTÃO NAO VENHA ESTRAPOLAR !

Comentários encerrados.

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