A tecnologia no futebol

Há muito tempo que os torcedores, ao menos uma parte deles (talvez os mais jovens, que tem mais afinidade com a tecnologia) pedem para que o futebol comece a usar os recursos tecnológicos para resolver as polêmicas dentro de campo. A FIFA e a International Board, na contramão, evitam ao máximo a adoção de medidas que, segundo alguns “especialistas” tornariam o esporte caro demais, quando um dos princípios básicos do futebol é a sua universalidade e baixo custo.

Mas, na Copa das Confederações, que começa essa semana, a FIFA utilizará um sistema novo para determinar se a bola entrou mesmo no gol. Esse tipo de lance é o mais drástico, pois afeta o resultado do jogo diretamente, apesar de não ser o erro mais frequente. O detalhe é que, para isso 14 (quatorze) câmeras serão instaladas nos estádios.

“O mecanismo funciona via câmeras de altíssima resolução. Serão 14 em cada estádio da Copa das Confederações: sete no lado norte, sete no lado sul. Elas ficam direcionadas à linha do gol – algumas mais verticalizadas, outras menos, em posições diferentes, espaçadas. Quando a bola cruza a linha do gol, um sinal é emitido. O relógio do árbitro vibra. E aparece escrito “gol” no visor dele”.

Aí você pensa: ótimo, uma polêmica a menos. Mas, pense aí, se eles podem usar câmeras de altíssima resolução para resolver um único problema (se a bola entrou ou não), por que não usar algo assim para resolver outras polêmicas, como impedimento? Você pode pensar, o custo é o problema… Mas, veja aí quanto vai custar esse sistema:

“A tecnologia da linha do gol foi utilizada pela primeira vez no Mundial de Clubes do ano passado. Os custos oscilam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil por sistema instalado”.

Barato não é. Isso derruba aquela argumentação sobre o esporte mais barato do mundo. Argumentação que já não faz tanto sentido quando a Copa do Mundo, Liga dos Campeões da Europa e campeonatos nacionais se mostram os mais lucrativos no meio esportivo, sendo patrocinados por grandes empresas, tendo atletas milionários e direitos televisivos astronômicos.

O único motivo, então, seria o tempo perdido para se analisar imagens televisivas, o que atrapalharia o andamento da partida. Tudo bem, com relação à tecnologia da linha do gol isso faz sentido, pois o tempo que leva para avisar o árbitro é só 0,3 segundos (diríamos instantâneo), então aqui vale.

Mas, será que se perderia tempo demais para que um árbitro localizado em uma cabine, com acesso às imagens da TV pudesse analisar o lance e falar com o árbitro principal através de rádio? Pensem comigo: quantas vezes, assistindo pela TV, você viu vários replays do mesmo lance, com tira-teima e tudo, e quando voltou para a imagem ao vivo os atletas ainda estavam discutindo com o árbitro, ou a bola ainda não havia sido posta em jogo? Pois é, talvez na Europa, onde os atletas pouco reclamam da arbitragem e onde a bola rola mais do que no Brasil, isso faça mais sentido. Aqui na nossa terra, sinceramente, o tempo perdido já existe, então poderíamos ao menos ter certeza de que a decisão da arbitragem foi correta.

A adoção da tecnologia para a linha do gol já foi um avanço, vamos ver se agora, depois da FIFA provar que não é avessa à tecnologia, eles começam a estudar a possibilidade de usar as milhares de câmeras apontadas para o campo para também resolver o problema do impedimento, das faltas, ou a mão na bola por exemplo.

As citações são da matéria do Globoesporte.com.

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A arbitragem está pior a cada ano? De quem é a culpa?

A arbitragem do Campeonato Brasileiro tem sido bastante criticada e parece estar pior a cada ano. Dário Rossine, auditor do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD),  resolveu apontar a comissão de arbitragem como culpada, principalmente pela forma como os árbitros são punidos e a falta de qualidade na formação. Para ele, o trabalho de Sérgio Corrêa é fraco.

“Está havendo um grande equívoco por parte do presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, acho que ele está lavando roupa suja em público, o caminho não é este. A figura do árbitro tem que ter um grande apoio da comissão, que tem que levar em conta o trabalho desenvolvido, o qual, a meu ver, é fraco. (A comissão) não está sendo competente o suficiente para trazer um grupo de árbitros, formar uma elite. Acho que a CBF tem que montar uma comissão de notáveis para tomar conta da arbitragem, pessoas com conhecimento, capazes de lidar com o emocional, com a parte profissional, que possam instruir e acompanhar o árbitro em todo o seu trabalho, antes, durante e depois do jogo. Acho que chegar, dizer que o árbitro errou e colocar nota na imprensa dizendo que está punido é muito fácil. Não é por aí. O trabalho tem piorado, acho que arbitragem está num nível muito baixo, mas isso é consequência de quem comanda”, declarou ao repórter Wellington Campos, colunista do site Justicadesportiva.com.br.

Concordo com o auditor, principalmente quanto à formação de novos árbitros. A renovação do quadro é muito importante, mas os que chegarem devem vir com uma qualidade diferenciada, adquirida em cursos de formação mais exigentes. Uma boa ideia é o intercâmbio com a Europa, até mesmo para unificar a interpretação dos árbitros, afinal, as regras do futebol são as mesmas.

Outro ponto que eu queria destacar é exatamente quanto à divergência de interpretações. Cada árbitro tem seu critério e há decisões muito diferentes para lances idênticos. A comissão de arbitragem deveria mesmo se emprenhar mais na qualificação dos árbitros do que em punições para a mídia ver.

O auditor ainda criticou a imprensa por estar sendo muito dura com os árbitros. Mas, isso é assunto para outro post.

Fonte: Site Justiça Desportiva

O Brasileirão merecia mais.

Eu sou fã do Campeonato Brasileiro, uma competição disputada, com resultados imprevisíveis e uma briga sempre acirrada pelas melhores posições na tabela. Os times são nivelados, ninguém desponta, e a cada jogo você sabe que pode ganhar ou perder. É diferente, por exemplo, dos campeonatos nacionais na Europa, onde já se sabe quais times brigam pelo título, e são poucos.

No nosso Brasileirão não tem favorito absoluto, não tem time que ganha todas nem tem resultado garantido. O lanterna vence o líder, um time que não vence há vários jogos bate um favorito, times ganham dentro ou fora de casa, há viradas espetaculares e belos gols. Com o retorno de alguns craques ao Brasil o campeonato ficou ainda mais interessante.

Mas, uma coisa vem estragando o campeonato: a arbitragem.

Não vou enumerar os erros dos árbitros nem comentar as falhas absurdas. Também não vou reclamar e pedir árbitros estrangeiros. Nem mesmo vou ficar lamentando pontos perdidos, gols anulados ou cartões mal aplicados. Não vou xingar assistentes nem árbitros, nem tampouco dizer que eles estão de má-fé.

Vou apenas lamentar. Quero apenas dizer que estou triste pelo que tenho visto. Estou triste porque vejo que as partidas não estão sendo decididas pelos jogadores. Não são os craques que conquistam os pontos com belos gols, nem são os pernas-de-pau que entregam as partidas. Não são os treinadores que vencem com “nó tático”, nem são os goleiros que salvam as equipes. São os árbitros, hoje, os principais responsáveis pelos resultados das partidas, infelizmente.

Hoje, não consigo ter o mesmo prazer, a mesma alegria, ao assistir uma partida de futebol. Porque, no fim, percebo que não foram as atuações dos times que determinaram o resultado, foram os erros daqueles que deviam passar despercebidos que implicaram em uma derrota, um empate ou uma vitória.

Infelizmente, assim como eu, muitos torcedores vão perder o interesse pelo campeonato, e isso será extremamente prejudicial. Se continuar assim, os torcedores deixarão de ir a campo, deixarão de comprar as partidas no pay-per-view e deixarão de acompanhar seus times. Com menos espectadores haverá menos patrocínio, menos dinheiro e, consequentemente, menos futebol.

Espero que essa visão apocalíptica não se concretize. Mas, para isso é preciso melhorar a qualidade dos nossos árbitros. Algo precisa ser feito, URGENTE!

Reclamando da arbitragem do fim de semana.

A oitava rodada do Cameponato Brasileiro ficou marcada pelos erros da arbitragem. Um assistente anulou um golaço legítimo de Obina do Palmeiras. Outro assistente validou um gol absurdamente impedido do Santo André contra o Sport. E Djalma Beltrami, a estrela das lambanças, depois de terminar o jogo antes do tempo, voltar atrás e mandar continuar, anulou o gol de empate do Santos por uma falta que só ele viu.

Mas, esse final de semana não chega a ser atípico, afinal, erros de arbitragem há em todas as rodadas. Mas, a questão é, de que adianta a gente reclamar se nada muda? Agora os assistentes estão afastados, mas em breve estarão de volta. Essas constantes reclamações não têm melhorado a qualidade da arbitragem brasileira.

Durante o jogo, reclamar chega a ser instintivo. O jogador está no calor da partida, fica difícil se conter diante de tantos absurdos. Mas, devo lembrar aos atletas que essa reclamação pode render uma punição.

Art. 251 Reclamar, por gestos ou palavras, contra as decisões da arbitragem ou desrespeitar o árbitro e seus auxiliares.
PENA: suspensão de 1 (uma) a 4 (quatro) partidas, provas ou equivalentes.

Reclamar de casos absurdos como esses da oitava rodada é inevitável. O que não pode continuar acontecendo é a constante reclamação dos perdedores quanto à arbitragem, como uma forma de tirar o foco sobre a sua derrota. Fato indiscutível é que precisamos de melhoras urgentes. Essa prática de colocar os árbitros na “geladeira” não tem funcionado.

Talvez, em vez de pensarmos em punição aos árbitros, devessemos pensar em treinamento, preparação e renovação dos quadros.

Reclamar da arbitragem dá em quê?

árbitro de basquetebolNada mais comum no nosso futebol do que reclamar das decisões (ou omissões) dos árbitros. Mas, isso gera o que? A arbitragem melhora por causa disso? E quem reclama, sofre o que?

Vejam o que ocorreu nos Estados Unidos: o técnico Phil Jackson, do Los Angeles Lakers, foi multado em 25.000 dólares por haver criticado a arbitragem. O clube foi punido com mais 25.000 dólares pelas declarações do seu técnico.

No Brasil, reclamar da arbitragem pode gerar, ao jogador, uma pena de 1 a 4 partidas (art. 251 do CBJD). Se a reclamação consistir em ofensa moral, a pena é de 2 a 6 partidas (art. 252). Vejam que só reclamar já deveria gerar uma punição, independente de haver ofensa moral, mas não é o que acontece na prática. As reclamações quanto à arbitragem são constantes e poucos são punidos por isso.

O técnico, no Brasil, por sua vez, pode ser punido com uma suspensão de 30 a 180 dias por uma manifestação desrespeitosa contra o árbitro (art. 188 do CBJD). Essa pena seria aumentada caso as declarações fossem feitas perante a imprensa (pena de 60 a 360 dias).

Erros de arbitragem há, e sempre haverão. Mas, as reclamações não trazem melhoras, trazem, outrossim, uma insegurança quanto à atividade dos mesmos. A imagem dos árbitros está profundamente abalada, muito por conta das constantes reclamações.

A pena de multa aos técnicos, jogadores e clubes, como aconteceu nos EUA, poderia ser interessante, evitaria, pois, um prejuízo à imagem dos árbitros. Deixar de reclamar, porém, não resolveria o problema das más arbitragens, mas essa cultura de reclamar de tudo também só prejudica as competições.

Essa postura de constantes reclamações após as partidas deve ser revista, pois em nada contribui, muito pelo contrário, só prejudica.  

Polêmica: Árbitro dá aula de impedimento ao Náutico.

O árbitro Wilson Souza, pernambucano, que já fez parte dos quadros da FIFA, deu uma aula aos jogadores alvirrubros sobre o impedimento. O árbitro ensinou aos atletas como tirar proveito da regra. A iniciativa parece ter dado resultado, afinal, o Timbu goleou o Cruzeiro por 5 a 2. No terceiro gol do Náutico, por exemplo, o atacante Felipe recua para sair da posição irregular, recebe o passe e marca.

Mas, a atitude foi criticada por alguns comentaristas. O envolvimento do árbitro poderia ser considerado suspeito. E os críticos questionam: “e se o Wilson Souza for escalado para apitar uma partida do Náutico? e se ele marcar erradamente um impedimento? será que isto está correto?”

Na verdade, nada impede que um árbitro dê aulas para clubes sobre as regras do futebol. De fato, estas aulas são até bem-vindas. Mas, a partir do momento que ele dá consultoria a um clube, deve ser considerado suspeito para apitar as partidas deste mesmo time. Da mesma forma, um Juiz de Direito deve se considerar suspeito se houver emitido opinião ou prestado uma consulta sobre o caso.

Na minha opinião, Wilson Souza não poderia apitar jogos do Náutico. Mas, isso não quer dizer que a atitude deva ser condenada, muito pelo contrário. Todos os clubes deveriam buscar profissionais da arbitragem para ensinar seus jogadores sobre as regras do futebol, principalmente sobre impedimento. Deu certo para o Náutico e daria também para os outros.

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