Bebidas alcoólicas nos estádios da Bahia

Não vou esconder que eu sempre fui contra a proibição da venda de bebidas alcoólicas nos estádios de futebol. Criada no calor do momento com o objetivo de diminuir a violência relacionada ao desporto, a proibição trouxe consequências, mas nem tanto as esperadas. A violência continua, o consumo de bebidas também (mas agora de forma “clandestina”, fora e dentro dos estádios).

Por isso, elogio a iniciativa do Instituto de Direito Desportivo da Bahia, que apoiou o projeto de lei do deputado João Bonfim (PDT), aprovado em dois turnos pela câmara e que segue para sanção do governador. O projeto autoriza e regulamenta a venda de bebidas alcoólicas nos estádios da Bahia.

Agora esperamos o posicionamento dos outros estados da federação com relação à matéria, que é de competência legislativa exclusiva dos estados.

http://www.bahianoticias.com.br/principal/noticia/149715-aprovado-projeto-que-autoriza-venda-de-bebidas-alcoolicas-em-estadios-na-bahia.html

IDDBA FARÁ SEGUNDA EDIÇÃO DO SEMINÁRIO NACIONAL FUTEBOL E JUSTIÇA DESPORTIVA.

Salvador (BA) – O IDDBA organizará, entre os dias 14 e 16 de outubro de 2010, o II Seminário Nacional Futebol e Justiça Desportiva: Novos Tempos para o Esporte Brasileiro. O evento, em sua primeira edição, foi marcado pelo sucesso, trazendo à Bahia nomes de vanguarda do direito desportivo e da vida esportiva brasileira, a exemplo dos Drs. Alberto Puga e Francisco Müssnich (Auditores do Pleno do STJD), Paulo Schimitt (Procurador Geral STJD), Virgílio Elísio da Costa Neto (Diretor técnico da CBF), Dr. Luiz Felipe Santoro (Presidente do IBDD), Dr. Nilton Vasconcelos (Secretário de Estado da Bahia), Raimundo Nonato Tavares, “Bobô” (Diretor da SUDESB), sendo, inclusive, realizada pelo Ministério dos Esportes consulta pública para colher sugestões a então minuta de novo CBJD.

Neste ano a temática abordada gira em torno das mudanças recentes da legislação desportiva nacional: novo Código de Justiça Desportiva (publicado em 31/12/2009); debate sobre as alterações que deverá passar a Lei Pelé e o advento dos mega-eventos desportivos que o Brasil sediará em 2014 e 2016.

A expectativa é de que Salvador possa reunir nomes de expressão no esporte nacional e promover debate qualificado sobre os avanços na legislação desportiva, além de abordar com eloqüência a nova realidade brasileira e mundial para a gestão e o marketing desportivos, a futura mudança das relações entre clubes e atletas com as alterações da Lei Pelé e, naturalmente, o que se esperar para a nação com a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

Segundo o Vice-Presidente do IDDBA, Dr. Fabiano Vasconcelos, “o instituto deseja contar com a participação de todos, principalmente neste momento de concepção do evento: queremos ouvir os mais diversos setores”. E prossegue Vasconcelos: “O IDDBA está, como sempre esteve, aberto e desejoso do apoio dos apaixonados pelo direito desportivo e dos que militam no esporte; caso queiram se juntar na construção do nosso Seminário basta nos enviar sugestões de temas e palestrantes”.

Maiores informações no site: www.iddba.com.br

O Nordestão e a estratégia das “equipes B”.

Há muito tempo torcedores, dirigentes e jornalistas clamam pela volta do Campeonato do Nordeste. Eu mesmo defendi várias vezes que um torneio regional seria mais interessante para os clubes pernambucanos do que o campeonato estadual, pois seria mais competitivo, deixá-los-ia mais preparados para encarar o nacional, teria mais público e renda.

Porém, a forma como esse Campeonato do Nordeste de 2010 foi montado merece críticas. Principalmente quanto à continuidade, pois esse ano aproveitará as datas da Copa do Mundo, mas ano que vem ninguém sabe. Claro que em 2011 haverá mais datas sem a Copa e isso permitirá a realização da competição se houver planejamento. Mas, ela será simultânea ao campeonato nacional.

Essa “concorrência” com o Brasileirão, série A, B, C ou D, é o que complica. Por isso o Sport decidiu não participar. Por isso também é que Náutico e Bahia já admitem usar times “B”. O Náutico, inclusive, usará até o treinador dos juniores, Sérgio China, deixando claro que o time que disputará a competição não será o principal.

Enquanto esse fato soa muito ruim para o campeonato e para a Liga, que já pensa em punir os clubes que usarem equipes “B”, parece um grande negócio para esses clubes. Não posso falar sobre a questão da punição, pois o presidente da Liga do Nordeste, Eduardo Rocha, disse que está previsto no contrato a utilização dos times principais. Na Lei, no Regulamento Geral das Competições da CBF, ou mesmo no bom senso, não há nada que impeça o clube de escalar jovens atletas em determinada competição para poupar os ditos titulares.

Mesmo ocorrendo durante a Copa do Mundo, o que não atrapalharia o rendimento dos clubes na Série B, o foco na subida de divisão justifica a utilização de times mistos ou até times “B”. Caso um titular se machucasse durante o Nordestão seria um grande prejuízo para o clube na disputa do nacional. Mas, a utilização dos juniores, a meu ver, é um excelente negócio para os clubes, não só para poupar titulares, muito mais para dar experiência aos garotos, que disputam poucas competições durante o ano.

Como disse o diretor de futebol do Bahia: “Vamos respeitar a grandeza da competição e aproveitá-la para utilizar nossas jóias da base”. É isso mesmo, tem que aproveitar para usar as jóias da base, dar mais horas de jogo a esses garotos, e ainda aumentar a visibilidade desses atletas. Investir na base é a chave para o sucesso e utilizá-la nessa competição é um grande negócio. Por isso entendo que o Náutico está certo em usar os atletas dos juniores e o Sport errou ao abandonar a competição, quando poderia aproveitar para colocar a base em campo, além daqueles que ficam subutilizados na equipe principal.

Respeito a posição do presidente da Liga, que quer ver os melhores times em campo e não um campeonato de juniores. Mas, concordo com a posição do Náutico, que deve mesmo aproveitar esse campeonato para valorizar os atletas da base. Só não concordo com uma punição a qualquer clube por isso, deve haver liberdade para escolher o time que entrará em campo. Para ter os melhores em campo não precisa de ameaças ou multas, precisa de uma competição atraente, e isso a gente vai ver se existe durante o campeonato.

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Petrobrás desiste do Vitória, culpa do Bahia.

A Petrobrás havia feito uma proposta bastante interessante ao Vitória. A empresa pagaria cerca de 4,6 milhões por três anos de contrato. A idéia da estatal era ter cerca de mil ingressos de camarote por jogo para ser usado em campanhas promocionais com seus clientes, além disso haveria a exposição da marca em pontos estratégicos do estádio, como no placar.

Mas, o acordo não saiu porque o Bahia se recusou a jogar no estádio do Barradão. A empresa estatal queria que os dois times jogassem no estádio, o que aumentaria bastante a exposição da marca e o retorno do investimento. Mas, o tricolor não aceitou e deve continuar mandando seus jogos em Feira de Santana (onde joga desde a interdição da Fonte Nova).

Há um tempo o Bahia teria tentado jogar no estádio do rival, mas não houve acordo entre as diretorias. Agora que há dinheiro, e muito, envolvido estão querendo acordo. O Bahia tentou lucrar alguma coisa com a mudança, mas não se acertou com o Vitória. Por isso, sem o Bahia no Barradão, a Petrobrás desistiu do acordo, pior para o Vitória.

É impressionante a rivalidade entre clubes da mesma cidade, é mais impressionante ainda ver como esta rivalidade afeta os próprios clubes e como esta implicância mútua acaba prejudicando ambos. O que fica porém é a idéia, excelente iniciativa da Petrobrás, que esperamos seja desenvolvida no futuro, na Bahia ou em qualquer outro estado.

A tragédia é um alerta.

especial para o Blog do Torcedor
A morte de sete torcedores após a ruptura de parte da arquibancada da Fonte Nova na Bahia é o anúncio da atual situação dos estádios brasileiros. A tragédia não pode ser encarada como um fato isolado, ela é a consequência do crescente descaso dos clubes e seus dirigentes pelos torcedores.

O mesmo estudo que apontou falhas no estádio baiano também denuncia outros tantos estádios, alguns até utilizados na série A deste ano, como a Ilha do Retiro e o Mineirão. Mas, de nada adianta tantos estudos e análises se as pessoas responsáveis simplesmente ignoram as ameaças. Cuidar dos estádios e de seus torcedores nunca foi parte integrante na cultura dos dirigentes.

O STJD deve punir o Bahia, suspendê-lo e multá-lo. Fala-se em um multa de até R$ 200 mil e uma suspensão de 10 jogos. Mas, se este dinheiro não for destinado para a manutenção dos estádios, de nada terá valido esta punição.

Cabe às federações estaduais e a CBF obrigar os clubes a cuidar de seus estádios. Mas, o que a história nos mostra é federações ajudando os clubes a encobrir seus erros e fechando os olhos para os problemas. Afinal, interditar estádios não gera mais renda, muito pelo contrário. E as federações não querem ser razão para prejuízo de seus associados.

Já que a justiça desportiva não tem tomado as providências para fazer cumprir a lei, que entre em cena o Ministério Público. Mas, tem que se fugir da rotina de ameaças de interdição e pular logo para a atitude. Se é para interditar que façam logo, e obriguem os clubes a respeitar seus torcedores.

Nós, como consumidores, torcedores e cidadãos temos direito a segurança, conforto e higiene. É impressionante, pagar mais de vinte reais por um ingresso e não ter direito nem mesmo a segurança ou a um banheiro de qualidade. Como consumidor poderíamos nos recusar a comparecer nesses recintos, mas como torcedores nos sentimos impelidos a estar no estádio.

Infelizmente, dizer que o torcedor é o maior patrimônio do clube parece mesmo verdade, prova é que, como qualquer patrimônio do clube, os torcedores também são tratados com descaso.

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