Limite de transferências no Campeonato Brasileiro 2012

Ontem, o Clube Náutico Capibaribe deixou de inscrever o atleta Alan Santos, que já estava treinando no clube, vindo do Santos, devido a uma regra do campeonato. Segundo a notícia do Blog do Torcedor: “a legislação esportiva determina que um clube da Série A só pode contar com cinco atletas emprestados de outras equipes da Série A”. Essa foi a declaração do clube sobre o caso.

Analisando o regulamento específico da competição, porém, percebemos que a regra não trata de empréstimo, mas de transferência mesmo, vejam:

Art. 8 – Um atleta poderá ser transferido de um clube para outro durante o Campeonato Brasileiro da Série A, desde que tenha atuado em um número máximo de seis partidas pelo clube de origem, sendo permitido que cada atleta mude de clube apenas uma vez.

Parágrafo único – Cada clube poderá receber até cinco atletas transferidos de outros clubes do campeonato (Série A); de um mesmo clube, somente poderá receber até três atletas (Série A).

Percebam que a regra impede, na verdade, a transferência de mais de cinco atletas de outros clubes da série A e três de um mesmo clube, mas nada fala sobre empréstimo ou transferência definitiva. Essa regra só se aplica às transferências ocorridas durante a competição, pois esse regulamento só se aplica ao Campeonato Brasileiro da Serie A, ou seja, atletas transferidos antes do início da competição não entram nessa matemática.

A limitação de transferências é algo comum e tem o objetivo de estabilizar a competição, evitando a mobilidade dos jogadores e, assim, a influência econômica sobre a competitividade. Na mesma esteira temos as regras que impedem a transferência de um atleta após completar sete partidas por um clube e o limite de tempo para inscrições, que é a 26ª rodada do campeonato.

A preocupação com a estabilidade das competições é algo antigo e justifica diversas restrições à mobilidade dos atletas, desde as regras de competição, como essas acima, até as regras trabalhistas que impõem aos contratos a inclusão da cláusula indenizatória desportiva. Sem essas restrições os clubes mais ricos poderiam facilmente contratar os melhores jogadores, retirando-os dos clubes mais fracos, o que geraria uma instabilidade da competição e a perda da imprevisibilidade do resultado das partidas e, em último caso, a falência do próprio campeonato.

Lembremos o que aconteceu na primeira liga de beisebol norte-americana, onde não havia qualquer restrição à mobilidade dos atletas. A liga quebrou porque o clube mais rico, o Cincinatti Red Stockings, contratava os melhores jogadores, e durante anos não perdeu uma partida sequer. Sobre o caso, Cardenal Carro afirma que: “«al no existir la mínima uncertainty of outcome el desinterés del público creció rápidamente, y todos los equipos, incluso el inderrotable campeón, perdían dinero»”.

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Iminente título do Flamengo deixa o Sport em alerta.

O Departamento Jurídico do Sport já anunciou que vai processar quem disser que o Flamengo conquistou o hexa e não o penta. Pois é, volta a polêmica sobre o título de 1987, que já foi até decidido na justiça, garantindo ao Sport o direito de se dizer Campeão Brasileiro.

Mas, o Flamengo nunca aceitou a derrota na justiça e continua se dizendo campeão daquele ano, o que faz dele um iminente hexa e não penta. A imprensa do sudeste também gosta de ignorar a vitória do Sport nos tribunais e dizer que o campeão daquele ano foi o Flamengo.

Agora, o Sport já se prepara para processar qualquer um que chamar o Flamengo de hexa, principalmente as emissoras de TV cariocas. Dizer que o rubro-negro carioca já tem cinco títulos é, exatamente, atribuir a ele o campeonato de 87, o que é inadmissível para o Sport.

Isso me lembra o Deputado Edmar Moreira, que processou todos os jornalistas e meios de comunicação que diziam ser ele o dono de um castelo. Pois o deputado venceu quase todas as ações, sob a alegação de que aquele castelo não era seu e não havia provas disso. Assim, qualquer um que mencionasse o castelo como sendo de propriedade do deputado acabava processado e tinha que pagar uma indenização ao mesmo.

Da mesma forma, o Sport Recife pode procurar a justiça para garantir que o título de 1987 não seja atribuído ao Flamego. Como o título dos cariocas é iminente, vamos esperar para ver como a imprensa vai chamar o novo campeão, penta ou hexa. E o Departamento Jurídico do Sport fica em alerta.

A mala branca é um perigo para o futebol.

mala brancaCom as disputas cada vez mais acirradas pelo título, pelas vagas na Libertadores e contra o rebaixamento, tem muito clube oferecendo incentivo financeiro aos adversários dos seus concorrentes. Há quem não veja mal nenhum nisso, pois o incentivo é pela vitória. Mas, há quem entenda ser esta prática contrária à moral desportiva.

Eu entendo que se essa prática ficar mais comum e mais frequente pode ser perigosa para o futebol. No atual campeonato brasileiro temos muitos clubes brigando por posições, então temos muitos querendo incentivar outros. O risco é ver os atletas de clubes que não disputam mais nada empenhando-se apenas quando houver incentivo material.

Ora, o objetivo do esporte é vencer, o atleta entra na disputa para ganhar. Teoricamente a mala branca não deveria ter efeito, pois os atletas já estão empenhados na vitória. Mas, a verdade é que um empurrão ajuda a motivar os jogadores e pode ser um combustível a mais para o time.

O medo que eu tenho é que os atletas fiquem “viciados” nesse incentivo e se empenhem apenas quando houver promessa de recompensa. Isso prejudicaria principalmente os clubes menos favorecidos, que não teriam condições de enviar mala branca a outros times. Em um cenário como esse o poder financeiro seria determinante para as vitórias, o que é inaceitável.

O Campeonato Brasileiro é competitivo e equilibrado. Se o oferecimento de dinheiro por vitórias continuar quem perderá mais será o próprio campeonato.

Debate Blog

O programa Debate Blog, em sua 20ª edição, tem como assunto a reta final do Campeonato Brasileiro para os clubes pernambucanos.

Marcelo Cavalcante, editor do Blog do Torcedor, Adethson Leite, do Blog dos Números, e Fernando Tasso, do Blog Extracampo, falam do iminente rebaixamento do Sport, analisando o discurso do presidente Sílvio Guimarães, e da luta do Nautico para escapar da degola.

Filmagem e edição: Breno Pires/Blog do Torcedor.

Sport: com o rebaixamento iminente é hora de planejar 2010.

Depois da derrota por 3 a 2 para o Náutico no último domingo, o Presidente do Sport, Sílvio Guimarães, deixou claro que o rebaixamento é inevitável e que o clube deve começar a pensar na próxima temporada. Algo que, infelizmente, eu já anunciava. O Sport foi rebaixado ainda no primeiro turno, quando marcou apenas 13 pontos.

“Conversamos sobre o planejamento para a  próxima temporada. Temos que reduzir nossos gastos. Avaliamos os atletas que não estão sendo utilizados. Também conversamos sobre alguns problemas administrativos”, disse o presidente, sem informar mais detalhes.

Concordo com o dirigente, é hora de começar a pensar no próximo ano. Dizer que ainda existem chances matemáticas e que o clube irá buscar até o fim é se iludir. Apesar de matematicamente ser possível, a realidade não indica que o Sport vá fugir da degola.

Se é assim, se a queda é inevitável, é bom mesmo se preparar para 2010. O elenco rubro-negro é grande e caro, incompatível com a realidade que o clube terá no próximo ano. Manter uma base pode ser uma boa ideia, pode ser um passo para o retorno à elite. Mas o time precisa de renovação, precisa de um novo gás.

Muitos atletas encerram seu contrato já no fim do ano, alguns com certeza não irão renovar, outros talvez fiquem. Vários atletas, porém, têm contrato até o próximo ano, o que dificulta a reformulação do elenco. Uma coisa é não renovar, outra coisa é ter que demitir. O Sport precisa se cuidar para não criar novas dívidas como as que afogaram as finanças do time nesse ano.

Minha maior dúvida é quanto aos próximos meses. Tudo indica que o clube irá dispensar muitos jogadores nos próximos dias, já para enxugar as despesas no final do ano. Afinal, não há motivo para manter um elenco caro sem disputar mais nada.

Outra dúvida é quanto ao treinador, que já dizem não permanecerá para 2010. O valor do salário deve ser um impeditivo para que Péricles Chamusca permaneça na Série B. Mas, se o Sport pensa em planejamento, deveria começar a analisar quem será o comandante no próximo ano.

Não podemos esquecer que apesar do rebaixamento no Campeonato Brasileiro, o Sport foi tetra-campeão estadual e deve buscar a continuidade do título para atingir a meta de igualar o feito do Náutico, o hexa-campeonato.

Contratar é dificil 2…

Para quem não lembra, em julho de 2008 eu publiquei um artigo com o mesmo título. Clique aqui.

Nele eu tratei da cláusula penal, explicando o porquê da dificuldade em contratar bons jogadores, principalmente para os clubes pernambucanos, que não dispões de muita verba. Agora, volto ao assunto. Mas, nesse momento, a dificuldade para contratar não se deve apenas à cláusula penal, mas, principalmente, ao momento e à ausência de bons atletas à disposição.

O prazo para inscrever novos jogadores no Campeonato Brasileiro está se encerrando, por isso os clubes correm contra o tempo atrás de reforços. Principalmente os que estão no Z-4, desesperados, que precisam mudar rápido a situação. Vamos às razões que dificultam as contratações.

  1. Muitos atletas já disputaram sete partidas por um clube, então não podem mais se transferir para clubes da série A.
  2. A série B está na reta final também, então os clubes não vão querer liberar os melhores jogadores (os piores ninguém quer mesmo), a não ser por valores altos demais para nossa realidade.
  3. A janela de transferências do exterior fechou, diminuindo ainda mais as opções.

Assim, restam muito poucas opções para contratação. Há os atletas que estavam sem jogar, os que ainda não disputaram sete partidas na série A (a maioria jovens das categorias de base), aqueles desconhecidos que estavam sem clube ou atletas que disputaram a Série C.

Pois é, contratar é difícil, principalmente bons jogadores. O torcedor tem o direito de cobrar, mas dificilmente vai ser atendido.

Adequação do calendário do futebol brasileiro ao europeu.

A adequação do calendário do futebol brasileiro ao europeu já é assunto em todas as rodas de discussão futebolísticas há um bom tempo. Até o presidente Lula, insatisfeito com as saídas dos jogadores no meio do Campeonato Brasileiro, disse que queria fazer uma lei proibindo a “venda” de jogadores no meio do ano, ou adequando o calendário ao europeu.

Bom, uma lei não poderia fazer isso, pois seria inconstitucional. Mas, há alguém que pode: a CBF. O presidente Ricardo Teixeira admitiu que vai sim adequar o calendário brasileiro ao europeu o mais rápido possível. O melhor de tudo é que o mandatário da CBF não vai fazê-lo com uma canetada, vai ouvir os interessados e discutir as propostas.

Isso é ótimo, é disso que precisamos, debate. As mudanças não podem ser impostas, nem por lei nem por canetada da CBF, devem ser discutidas e aprovadas por todos os interessados, a TV, os clubes, os atletas e as federações estaduais (será que vão ouvir os torcedores?). Agora é a hora de apresentar propostas e alterar para melhor o nosso futebol.

A principal exigência é haver uma abertura no meio do ano para que os clubes possam participar de competições internacionais e o Brasil possa, inclusive, receber clubes estrangeiros para competições de pré-temporada. Isso renderá boas receitas aos nossos clubes tão carentes, além de instituir um bom período de preparação, coisa que não existe no Brasil.

O Campeonato Brasileiro, então, deverá se iniciar no segundo semestre para encerrar no ano seguinte, com isso a janela de transferência principal será antes da competição e não durante. Isso é bom para o planejamento. Assim, adequaremos nosso campeonato ao calendário da FIFA, evitando que os clubes brasileiros fiquem desfalcados de jogadores que servem a Seleção.

Outra questão a ser discutida, e a hora é essa, quando se revê o calendário, é a diminuição dos estaduais e a volta dos regionais. Não parece que esse assunto esteja em pauta, mas é bom que se discuta agora, para que nosso calendário se solidifique e não precise ser alterado novamente.

Vamos ao debate.

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