Salgueiro: “o melhor dos piores”.

O Salgueiro conquistou o título de “Campeão do Interior de Pernambuco” ao empatar em 0 a 0 com o Ypiranga, pois havia vencido a primeira partida por 1 a 0. O Salgueiro, único pernambucano na série C, agora volta as atenções para a competição nacional.

Primeiro, temos que questionar essa estória de “Campeão do interior”, pois, na verdade, o melhor time do interior do estado foi o Central, 4º colocado na primeira fase, que perdeu a semi-final para o Sport. O título de campeão do interior, na verdade, é apenas uma disputa extra entre os clubes que ficaram do 5º ao 8º lugar. Poderia se chamar, então, “o melhor dos piores”.

Na verdade, até um time da capital, se ficasse em alguma dessas colocações, poderia disputar o “título do interior” o que seria, no mínimo, estranho.

Mas, independente dessa bizarrice, é importante ressaltar o que há de bom nessa disputa. Com o programa Todos com a Nota, cada jogo a mais significa uma boa renda a mais também. Os clubes do interior, portanto, disputaram bastante para ficar acima do 8º lugar, pois assim garantiram uma boa receita. A competição extra também ajuda a motivar os clubes, manter os atletas jogando e os torcedores no estádio.

Portanto, parabéns à Federação Pernambucana de Futebol (que copiou a paulista) por realizar esse torneio. Embora não pareça correto chamar o Salgueiro, que ficou atrás do Central no campeonato, de “Campeão do Interior”, devemos atribuir a ele um título de campeão sim, por mérito.

Campeonato Pernambucano: Número de clubes x Número de datas

Uma crítica do colega Marcelo Cavalcante do Blog do Torcedor está dando o que falar (aqui). Marcelo criticou a falta de planejamento da Federação Pernambucana de Futebol, a quantidade de clubes no campeonato estadual e o grande número de datas na competição. A maior crítica do blogueiro, na verdade, é quanto ao inchaço de datas no torneio, o que prejudica os clubes na preparação física e técnica.

Outros tantos apareceram, porém, para defender a quantidade de 12 clubes no estadual. O diretor de marketing da FPF, Felipe Gomes, comentou o assunto no próprio Blog do Torcedor (aqui) e defendeu que a tendência é aumentar o número de clubes, comparando o campeonato pernambucano a outros estaduais de grande porte.

Entendo que o grande problema não está na quantidade de clubes. Na verdade, se os clubes fossem estruturados, a maioria não são, seria interessante ter 16 ou 20 clubes na série A1. Mas, a realidade mostra que a maioria dos clubes do interior luta contra suas próprias limitações para disputar a competição. O problema mais sério, porém, é mesmo a quantidade de datas.

O Campeonato Pernambucano iniciou cedo demais, antes mesmo dos 10 dias que a lei exige entre a volta das férias e o início das competições (veja o post sobre o assunto), e vai acabar no limite das datas disponíveis. Além do risco  assumido pela federação, que teria dificuldades em repor partidas eventualmente adiadas, a maratona de jogos mostra-se prejudicial aos atletas.

Devido ao ritmo de jogos, duas vezes por semana, aliado à falta de pré-temporada, os clubes reclamam não poder treinar a equipe como gostariam e também não poder fazer uma preparação física adequada, o que evitaria lesões.

O maior problema, portanto, não é a quantidade de clubes participantes, mas a quantidade de datas no campeonato. Para ter uma competição com esse regulamento é preciso ter mesnos clubes. Para ter mais clubes é preciso rever o regulamento. Outra preocupação que não pode ser desconsiderada é a qualidade dos times, que reflete no nível técnico da competição. Uma grande quantidade de clubes pode ser bom para expandir o futebol pelo estado, mas pode ser prejudicial se as equipes não tiverem, como muitas não têm, um mínimo de estrutura.

Fica a dica, com 10, 12 ou 20 clubes, o que importa, na verdade, é o número de jogos, que precisa diminuir e a qualidade dos times, que precisa aumentar.

Fórmula do Campeonato Pernambucano será mantida em 2011

Depois de três fórmulas diferentes em três anos, debaixo de muita polêmica, a FPF concordou em manter o sistema de 2010 para o próximo ano.

O Ministério Público de Pernambuco convocou a federação e os clubes que, ontem, assinaram um Termo de Ajustamento de Conduta para garantir a repetição da fórmula no ano que vem. Assim, o MP garante a aplicação do Estatuto do Torcedor, que determina a manutenção dos regulamentos por, no mínimo, dois anos antes de uma mudança. Regra que foi descumprida nos últimos anos sob os mais diversos argumentos.

Caso não cumpra o ajustado, a FPF pagará uma multa de R$ 600 mil.

O MP preferiu não intervir nos anos anteriores, deixando a federação mudar à vontade o campeonato, apesar do que determina a lei. Mas, agora, para prevenir novas polêmicas, o órgão impõe aos responsáveis que respeitem a lei e mantenham o campeonato como está.

Na minha opinião, a atitutde foi acertada, pois impedirá novas polêmicas. Gosto da fórmula que será usada este ano, mas discordo da quantidade de clubes que disputam o campeonato. A competição está muito longa, inicia cedo demais e acaba já em cima do campeonato nacional. É preciso diminuir o número de clubes, algo que só será possível em 2013, pois só em 2012 o regulamento poderá ser alterado para aumentar o número de rebaixados.

Série A-3 do Campeonato Pernambucano.

A Federação Pernambucana de Futebol quer criar uma terceira divisão do campeonato estadual, que já teria início em 2010, a Série A-3.

Fiquei surpreso com a notícia, principalmente porque não vejo necessidade de mais uma divisão no campeonato estadual. A Série A-2 já é suficiente para reunir os clubes que não estejam na primeira divisão. Aumentar a Série A-2, por exemplo, já seria suficiente.

A Série A-1 já não é nenhuma maravilha em termos econômicos. Também não é um primor de técnica e ainda sofre com estádios ultrapassados e gramados mal cuidados. A Série A-2 nem se fala, os clubes têm grandes dificuldades para se sustentar e para disputar a competição. Agora, imaginem uma terceira divisão.

O que mais me surpreendeu nisso tudo foi lembrar que o presidente Carlos Alberto Oliveira, semana passada, criticou a Série D nacional e pediu que ela fosse extinta, pois é deficitária. Imaginem, então, a terceira divisão estadual.

Para viabilizar a competição a federação espera ter o apoio do programa governamental “Todos com a Nota”. Isso traria público aos jogos e ajudaria os clubes financeiramente. Mas, mesmo com esse apoio, a competição e os clubes terão sérias dificuldades financeiras. A competição deverá ser regionalizada para diminuir o custo de transporte e corre o risco de ser quase amadora.

Sinceramente, não entendi.

De volta à Série B

Sport e Náutico estão de volta à Série B do Campeonato Brasileiro. Boa ou má notícia? Por incrível que pareça, para algumas pessoas essa foi uma boa notícia, simplesmente porque isso deixará, teoricamente, o campeonato pernambucano mais nivelado.

O presidente da Federação Pernambucana de Futebol, Carlos Alberto Oliveira, disse que “gostou” do rebaixamento, pois o campeonato estadual ficará mais nivelado com a queda na receita dos clubes. Tudo bem que o nivelamento do camponato é importante para o mesmo, pois mantém a competitividade e deixa o campeonato mais atrativo. Mas, nivelar por baixo não é uma boa ideia.

A queda dos dois clubes trará mais prejuízos ao futebol pernambucano do que imagina o presidente da FPF. O campoenato terá menos importância e menos exposição na mídia nacional, o que, consequentemente, diminuirá a receita de todos com publicidade e patrocínio.

Torço pelo equilíbrio sim, e pela competitividade, mas espero que isso aconteça por termos clubes estruturados, profissionais e com bons elencos. Nada de nivelar por baixo.

Debate Blog

O assunto não poderia ser outro senão a mudança do regulamento do Campeonato Pernambucano.

Querem mudar a fórmula do Campeonato Pernambucano de novo.

Insatisfeita com a ausência de finais no último campeonato, a Federação Pernambucana de Futebol resolveu mudar a fórmula da competição mais uma vez. Agora, a ideia é fazer o estadual nos moldes do Campeonato Paulista, onde os quatro primeiros da fase inicial disputam semi-final e final pelo título.

Essa fórmula é, definitivamente, melhor do que a existente, pois não permite que um clube seja campeão direto, sem final. Era essa a forma de disputa defendida por Náutico e Santa Cruz no último conselho arbitral. Na época, a FPF foi contra e fez o possível para voltar ao esquema antigo, dois turnos com final entre os campeões de cada um, o que não aconteceu, pois o Sport venceu os dois.

Mas, a grande questão é: ESSA MUDANÇA É LEGAL?

Vejam o que diz o Estatuto do Torcedor, art. 9º, §5º:

§ 5o É vedado proceder alterações no regulamento da competição desde sua divulgação definitiva, salvo nas hipóteses de:

I – apresentação de novo calendário anual de eventos oficiais para o ano subseqüente, desde que aprovado pelo Conselho Nacional do Esporte – CNE;

II – após dois anos de vigência do mesmo regulamento, observado o procedimento de que trata este artigo.

Lembrem que em 2008 a fórmula foi aquela esdrúxula, onde quase não houveram clássicos e o Santa Cruz não enfrentou nenhum dos rivais. Para mudar daquela forma para a atual a FPF precisou fazer um pedido ao Juizado do Torcedor, que entendeu ser possível a mudança por ser de interesse do próprio torcedor. Mas, para ser legítima, a mudança precisava ser unânime. Não foi, mas o problema foi superado.

Agora, para mudar o regulamento de novo, a FPF precisa recorrer mais uma vez ao Juizado. Mas, dessa vez o argumento não poderá ser o mesmo, pois o regulamento atual é o tradicional no Campeonato Pernambucano. Então, se querem mudar, será preciso encontrar um fundamento jurídico para driblar a lei, o Estatuto do Torcedor.

Vejam que o que o Estatuto visa proibir com a regra citada acima é exatamente isso, a instabilidade das competições e a mudança constante no regulamento. É uma questão de segurança para o torcedor, que deve ter conhecimento do regulamento, não pode ficar na dúvida diante de tantas mudanças. Assim, busca-se mais estabilidade na competição e mais transparência nas regras e organização.

Vamos esperar pelo pronunciamento do Juizado do Torcedor sobre o caso.

Mas, é bom lembrar que de acordo com o art. 217 da Constituição Federal, as matérias sobre discplina e competição devem ser decididas pela Justiça Desportiva. Assim, quem deve se pronunciar primeiro é o TJD-PE.

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