Campeonato Pernambucano: Número de clubes x Número de datas

Uma crítica do colega Marcelo Cavalcante do Blog do Torcedor está dando o que falar (aqui). Marcelo criticou a falta de planejamento da Federação Pernambucana de Futebol, a quantidade de clubes no campeonato estadual e o grande número de datas na competição. A maior crítica do blogueiro, na verdade, é quanto ao inchaço de datas no torneio, o que prejudica os clubes na preparação física e técnica.

Outros tantos apareceram, porém, para defender a quantidade de 12 clubes no estadual. O diretor de marketing da FPF, Felipe Gomes, comentou o assunto no próprio Blog do Torcedor (aqui) e defendeu que a tendência é aumentar o número de clubes, comparando o campeonato pernambucano a outros estaduais de grande porte.

Entendo que o grande problema não está na quantidade de clubes. Na verdade, se os clubes fossem estruturados, a maioria não são, seria interessante ter 16 ou 20 clubes na série A1. Mas, a realidade mostra que a maioria dos clubes do interior luta contra suas próprias limitações para disputar a competição. O problema mais sério, porém, é mesmo a quantidade de datas.

O Campeonato Pernambucano iniciou cedo demais, antes mesmo dos 10 dias que a lei exige entre a volta das férias e o início das competições (veja o post sobre o assunto), e vai acabar no limite das datas disponíveis. Além do risco  assumido pela federação, que teria dificuldades em repor partidas eventualmente adiadas, a maratona de jogos mostra-se prejudicial aos atletas.

Devido ao ritmo de jogos, duas vezes por semana, aliado à falta de pré-temporada, os clubes reclamam não poder treinar a equipe como gostariam e também não poder fazer uma preparação física adequada, o que evitaria lesões.

O maior problema, portanto, não é a quantidade de clubes participantes, mas a quantidade de datas no campeonato. Para ter uma competição com esse regulamento é preciso ter mesnos clubes. Para ter mais clubes é preciso rever o regulamento. Outra preocupação que não pode ser desconsiderada é a qualidade dos times, que reflete no nível técnico da competição. Uma grande quantidade de clubes pode ser bom para expandir o futebol pelo estado, mas pode ser prejudicial se as equipes não tiverem, como muitas não têm, um mínimo de estrutura.

Fica a dica, com 10, 12 ou 20 clubes, o que importa, na verdade, é o número de jogos, que precisa diminuir e a qualidade dos times, que precisa aumentar.

Fórmula do Campeonato Pernambucano será mantida em 2011

Depois de três fórmulas diferentes em três anos, debaixo de muita polêmica, a FPF concordou em manter o sistema de 2010 para o próximo ano.

O Ministério Público de Pernambuco convocou a federação e os clubes que, ontem, assinaram um Termo de Ajustamento de Conduta para garantir a repetição da fórmula no ano que vem. Assim, o MP garante a aplicação do Estatuto do Torcedor, que determina a manutenção dos regulamentos por, no mínimo, dois anos antes de uma mudança. Regra que foi descumprida nos últimos anos sob os mais diversos argumentos.

Caso não cumpra o ajustado, a FPF pagará uma multa de R$ 600 mil.

O MP preferiu não intervir nos anos anteriores, deixando a federação mudar à vontade o campeonato, apesar do que determina a lei. Mas, agora, para prevenir novas polêmicas, o órgão impõe aos responsáveis que respeitem a lei e mantenham o campeonato como está.

Na minha opinião, a atitutde foi acertada, pois impedirá novas polêmicas. Gosto da fórmula que será usada este ano, mas discordo da quantidade de clubes que disputam o campeonato. A competição está muito longa, inicia cedo demais e acaba já em cima do campeonato nacional. É preciso diminuir o número de clubes, algo que só será possível em 2013, pois só em 2012 o regulamento poderá ser alterado para aumentar o número de rebaixados.

Série A-3 do Campeonato Pernambucano.

A Federação Pernambucana de Futebol quer criar uma terceira divisão do campeonato estadual, que já teria início em 2010, a Série A-3.

Fiquei surpreso com a notícia, principalmente porque não vejo necessidade de mais uma divisão no campeonato estadual. A Série A-2 já é suficiente para reunir os clubes que não estejam na primeira divisão. Aumentar a Série A-2, por exemplo, já seria suficiente.

A Série A-1 já não é nenhuma maravilha em termos econômicos. Também não é um primor de técnica e ainda sofre com estádios ultrapassados e gramados mal cuidados. A Série A-2 nem se fala, os clubes têm grandes dificuldades para se sustentar e para disputar a competição. Agora, imaginem uma terceira divisão.

O que mais me surpreendeu nisso tudo foi lembrar que o presidente Carlos Alberto Oliveira, semana passada, criticou a Série D nacional e pediu que ela fosse extinta, pois é deficitária. Imaginem, então, a terceira divisão estadual.

Para viabilizar a competição a federação espera ter o apoio do programa governamental “Todos com a Nota”. Isso traria público aos jogos e ajudaria os clubes financeiramente. Mas, mesmo com esse apoio, a competição e os clubes terão sérias dificuldades financeiras. A competição deverá ser regionalizada para diminuir o custo de transporte e corre o risco de ser quase amadora.

Sinceramente, não entendi.

De volta à Série B

Sport e Náutico estão de volta à Série B do Campeonato Brasileiro. Boa ou má notícia? Por incrível que pareça, para algumas pessoas essa foi uma boa notícia, simplesmente porque isso deixará, teoricamente, o campeonato pernambucano mais nivelado.

O presidente da Federação Pernambucana de Futebol, Carlos Alberto Oliveira, disse que “gostou” do rebaixamento, pois o campeonato estadual ficará mais nivelado com a queda na receita dos clubes. Tudo bem que o nivelamento do camponato é importante para o mesmo, pois mantém a competitividade e deixa o campeonato mais atrativo. Mas, nivelar por baixo não é uma boa ideia.

A queda dos dois clubes trará mais prejuízos ao futebol pernambucano do que imagina o presidente da FPF. O campoenato terá menos importância e menos exposição na mídia nacional, o que, consequentemente, diminuirá a receita de todos com publicidade e patrocínio.

Torço pelo equilíbrio sim, e pela competitividade, mas espero que isso aconteça por termos clubes estruturados, profissionais e com bons elencos. Nada de nivelar por baixo.

Querem mudar a fórmula do Campeonato Pernambucano de novo.

Insatisfeita com a ausência de finais no último campeonato, a Federação Pernambucana de Futebol resolveu mudar a fórmula da competição mais uma vez. Agora, a ideia é fazer o estadual nos moldes do Campeonato Paulista, onde os quatro primeiros da fase inicial disputam semi-final e final pelo título.

Essa fórmula é, definitivamente, melhor do que a existente, pois não permite que um clube seja campeão direto, sem final. Era essa a forma de disputa defendida por Náutico e Santa Cruz no último conselho arbitral. Na época, a FPF foi contra e fez o possível para voltar ao esquema antigo, dois turnos com final entre os campeões de cada um, o que não aconteceu, pois o Sport venceu os dois.

Mas, a grande questão é: ESSA MUDANÇA É LEGAL?

Vejam o que diz o Estatuto do Torcedor, art. 9º, §5º:

§ 5o É vedado proceder alterações no regulamento da competição desde sua divulgação definitiva, salvo nas hipóteses de:

I – apresentação de novo calendário anual de eventos oficiais para o ano subseqüente, desde que aprovado pelo Conselho Nacional do Esporte – CNE;

II – após dois anos de vigência do mesmo regulamento, observado o procedimento de que trata este artigo.

Lembrem que em 2008 a fórmula foi aquela esdrúxula, onde quase não houveram clássicos e o Santa Cruz não enfrentou nenhum dos rivais. Para mudar daquela forma para a atual a FPF precisou fazer um pedido ao Juizado do Torcedor, que entendeu ser possível a mudança por ser de interesse do próprio torcedor. Mas, para ser legítima, a mudança precisava ser unânime. Não foi, mas o problema foi superado.

Agora, para mudar o regulamento de novo, a FPF precisa recorrer mais uma vez ao Juizado. Mas, dessa vez o argumento não poderá ser o mesmo, pois o regulamento atual é o tradicional no Campeonato Pernambucano. Então, se querem mudar, será preciso encontrar um fundamento jurídico para driblar a lei, o Estatuto do Torcedor.

Vejam que o que o Estatuto visa proibir com a regra citada acima é exatamente isso, a instabilidade das competições e a mudança constante no regulamento. É uma questão de segurança para o torcedor, que deve ter conhecimento do regulamento, não pode ficar na dúvida diante de tantas mudanças. Assim, busca-se mais estabilidade na competição e mais transparência nas regras e organização.

Vamos esperar pelo pronunciamento do Juizado do Torcedor sobre o caso.

Mas, é bom lembrar que de acordo com o art. 217 da Constituição Federal, as matérias sobre discplina e competição devem ser decididas pela Justiça Desportiva. Assim, quem deve se pronunciar primeiro é o TJD-PE.

I Seminário de Direito Desportivo na Prática

O Instituto Pernambucano de Direito Desportivo (IPDD) irá realizar no próximo dia 25 de Setembro um seminário na Faculdade Boa Viagem, que contará com a presença de grandes mestres do Direito Desportivo. O evento, organizado em parceria com o IBDD, apoiado pela FPF e pelos clubes de futebol de Recife, tratará dos principais temas do direito desportivo na atualidade. Confira o programa e os locais de inscrição no site do IPDD.

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