Limites diferenciados da Cláusula Penal para transferências nacionais e internacionais.

Depois de um bom tempo afastado do blog, muito devido aos compromissos profissionais e falta de tempo, estou de volta. E o que me traz aqui é o caso de Jonas, atacante do Grêmio, artilheiro do último Campeonato Brasileiro. O atleta pagou a cláusula penal, estipulada em apenas € 1,25 milhão (ou R$ 2,85 milhões) e deve assinar contrato com o Valencia da Espanha.

A notícia é de que o próprio jogador teria pago a multa. Se foi com dinheiro do próprio bolso, do clube espanhol ou empréstimo consignado, não faz diferença, pagou está livre. O que gera um pequeno conflito com a nossa famosa Lei Pelé. A lei 9.615/98 (Lei Pelé) prevê um limite para a cláusula penal em transferências nacionais (100 vezes a remuneração anual do atleta) e outro para transferências internacionais (sem limite). Vejam o art. 28, §3º e §5º.

Se a cláusula penal foi paga pelo próprio atleta, simplesmente com o intuito de se desvincular do clube, o valor é aquele das transferências nacionais. Porém, após a extinção do contrato o atleta é livre, podendo assinar com qualquer clube, seja do Brasil ou do exterior, sem, para isso, ter que pagar qualquer complemento. Isso deixa o atleta livre para jogar na Europa pelo “preço” de uma transferência nacional.

Os limites diferenciados da cláusula penal previstos na legislação brasileira já estão sendo combatidos na FIFA, que não aceita esse “sem limite” previsto no art. 28, §5º da Lei Pelé.

Fica a dica para clubes e atletas.

A hora dos volantes modernos.

Os europeus já perceberam isso há muito tempo, o volante não é um zagueiro, não tem apenas que marcar, também tem que jogar, não basta força física, também é preciso ter cérebro. O volante moderno não é apenas um “destruidor de jogadas adversárias”, ele é também um armador de jogadas ofensivas.

O Brasil parece estar acordando para isso, apesar dos volantes puramente marcadores ainda fazerem sucesso entre treinadores e torcedores. A raça, a força física, a marcação, tudo isso conquista os torcedores e também a confiança dos treinadores. Hoje, os grandes times precisam ter um volante que marque forte e anule o principal jogador adversário (como Pierre, do Palmeiras, um verdadeiro “carrapato”).

Mas, os volantes mais admirados do futebol brasileiro na atualidade não são conhecidos pela forte marcação, muito pelo contrário, fazem sucesso pela saída de jogo e presença no ataque, são eles: Hernanes, do São Paulo, e Ramires, do Cruzeiro. Esses são os melhores exemplos de volantes modernos, que não se contentam em marcar, aparecem para o jogo e se tornam uma forte arma ofensiva, criando jogadas e parecendo para concluir.

O Grêmio nunca foi conhecido pelos volantes armadores, muito pelo contrário, é da própria tradição, do temperamento da torcida e do estilo de jogo do time que vem a adoração a volantes fortes, bons marcadores, que demonstram muita raça e nem tanta qualidade para sair jogando.

Porém, o próprio Grêmio já se rende às “modernidades” e volantes com habilidade vêm se destacando pelas bandas do Olímpico. Lucas e Rafael Carioca são bons exemplos, além de William Magrão, todos apreciados pela boa técnica, mais do que pela força física e poder de marcação.

Essa nova mentalidade já chegou às categorias de base. O destaque da vez é o volante Tiago Dutra, hoje com 18 anos (nasceu em 17/09/1990), que já defendeu as seleções de base, estando inclusive no Pan do Rio de Janeiro em 2007. O atleta é uma grande esperança gremista e já treina entre os profissionais, aguardando a oportunidade de brilhar.

Tiago chama atenção pela força física. Uma passada de olhos na foto do jogador já denuncia um físico impressionante para alguém de tão pouca idade. A forma física do jogador é motivo de elogios dos treinadores. Tiago já se mostra, ao menos nesse aspecto, apto a desempenhar a função de primeiro volante na equipe profissional. Não fosse uma lesão tê-lo tirado do Campeonato Brasileiro sub-20 de 2008 (onde o Grêmio se sagrou campeão) talvez já estivesse mais presente entre os convocados para os jogos do tricolor.

Bom, estava eu falando de volantes modernos, qualidade no passe e tudo isso, depois venho elogiar o garoto só pela força física, que contradição. Não, Tiago não é só um “corpinho”, o jovem mostra características de um excelente segundo volante, tem bom passe, velocidade na saída de jogo, uma arrancada interessante, é bom cabeceador e, o melhor, chuta forte e bem de média e longa distância.

Tiago costuma desempenhar o papel de primeiro volante, talvez pela sua visível força física, mas deve evoluir para ser mais do que isso. Apesar de que a sua qualidade na saída de bola também o crendecia para ser um excelente primeiro volante no futebol moderno. Como eu já havia dito no começo, os volantes de hoje não podem se contentar apenas com a marcação e exercem um papel importante na saída de jogo do time, isso pode levar o jovem Tiago a um grande sucesso em equipes européias, a exemplo de outros gremistas que já estão no velho continente

Não vai demorar muito para esse rapaz figurar entre os titulares do Grêmio, além de continuar a saga nas seleções de base, o que lhe dá experiência para ser um grande profissional o quanto antes. Aposto em Tiago Dutra, esse vale a pena ficar de olho.

Obs.: Alguém pode pensar que o texto não é bem uma matéria para o extracampo.com, mas a forma de observar jogadores e as perspectivas sobre o futuro do futebol, como a função dos volantes, é algo a ser lembrado pelos dirigentes na hora de contratar e também na hora de investir em jogadores da base. Nesse sentido, o artigo se torna uma reflexão útil àqueles que trabalham no extracampo do futebol.

Transferências prematuras.

O jovem Douglas Costa, do Grêmio, mal jogou o campeonato brasileiro e já despertou o interesse de clubes europeus, que podem pagar até R$80 milhões pelo jogador. Mas, aos 18 anos, a saída do atleta para o exterior pode ser considerada prematura. A mãe do atleta, o seu empresário e o clube preferem que elefique mais um pouco no Brasil.

“Sabemos do interesse de alguns clubes, sim, e que as ofertas serão grandes. Mas, como mãe, acho que ainda é cedo para o Douglinhas deixar o Brasil. Ele tem etapas a cumprir por aqui”, disse Marlene, mãe do jogador.

Mas, não se engane, o jogador não despertou o interesse dos clubes de repente. Os clubes interessados já acompanham o futebol do garoto desde as categorias de base da seleção. Manchester Untd, Real Madrid e clubes italianos estariam na briga pelo atleta. O procurador do jogador, entretanto, declarou que apesar dele ter estatura e preparo físico para atuar junto aos profissionais, o garoto ainda precisa jogar mais por aqui antes de se transferir.

Porém, os clubes europeus, como vimos ultimamente, contratam ops jogadores cada vez mais jovens. Na verdade, basta ter talento, pois preparo físico e disciplina tática eles mesmo ensinam. É melhor para os compradores poderem moldar o atleta ao estilo europeu de jogar, com menos faltas e mais velocidade. Quando um atleta se acostuma ao estilo “cai-cai” do futebol brasileiro perde valor de mercado, e tem mais dificuldade em se adaptar. Mas, os muito jovens sofrem de outro mal, a imaturidade.

No final, quem perde é o futebol brasileiro, que ultimamente não tem tido a oportunidade de ver as jovens promessas em campo. E quando um clube europeu decide que quer levar e vai pagar o preço, não tem empresário, clube ou mãe que o segure aqui.

http://video.globo.com/Videos/Player/Esportes/0,,GIM896205-7824-DOUGLAS+COSTA+O+NOVO+IDOLO+GREMISTA,00.html

Grêmio lucra com a venda de Ronaldinho.

Para aqueles que ainda não acreditam na formação de atletas, vai aí um bom exemplo. O Grêmio, clube onde Ronaldinho foi formado, terá direito a receber 4% da verba paga pelo Milan ao Barcelona, de acordo com o mecanismo de solidariedade da FIFA. Pela regra, o clube formador recebe até 5% de qualquer transferência do atleta.

Como a formação, de acordo com o estatuto da FIFA, se desenrola entre os 12 e os 23 anos, o clube só receberia integralmente os 5% se o atleta ficasse todo esse período. Ronaldinho foi vendido ao PSG aos 21 anos, então, o clube francês terá direito a 1% e o Grêmio 4%. O clube gaúcho deve lucrar cerca de €850 mil (aproximadamente R$ 2,2 milhões).

Receber uma verba assim tão atrativa, sem nenhum esforço, só por ter formado o atleta, é algo excelente. Que sirva de exemplo para os outros clubes brasileiros. Formar atletas ainda vale a pena, o importante é manter o rastreamento, para que não se perca nenhuma transferência, o que pode gerar muitos lucros aos clubes brasileiros.

Em homenagem, aí vai um vídeo com os melhores momentos de Ronaldinho com a camisa do tricolor gaúcho:

Novo estádio do Grêmio.

O tricolor gaúcho assinou com as empresas OAS e TBZ um protocolo de intenções para a construção do novo estádio do Grêmio. A obra deverá ser iniciada em janeiro de 2009 e terminada em 2012.Com isso, ainda poderá sediar jogos da Copa do Mundo de 2014, embora este não seja o objetivo principal do Grêmio. O custo estimado, de acordo com o Grêmio, é de R$ 270 milhões, pelo que diz o site globoesporte.com. Mas, o sportmarketing.com.br revela que será necessário um investimento de R$ 1 bilhão.

A empresa portuguesa, TBZ, é a mesma que administra o Santiago Bernabéu, estádio do Real Madrid. O acordo prevê que 65% das rendas do estádio ficarão com o Grêmio, os outros 35% com o consórcio que envolve TBZ e a construtora OAS. O financiamento será buscado pelas empresas, assim, o Grêmio não precisará desembolsar nenhum centavo.

O estádio terá capacidade para 50 mil pessoas. O projeto prevê ainda shopping center, hotel, prédios de escritórios, centro de convenções e estacionamento com 5 mil vagas. O Grêmio não terá participação nos lucros desses outros empreendimentos, exceto o estacionamento. O estádio Olímpico será demolido após a conclusão do novo estádio.

Sócio-torcedor rende R$ 5 milhões ao Grêmio (?).

O Grêmio divulgou os resultados da nova campanha de sócio-torcedor do clube. Segundo o departamento de marketing tricolor, o clube arrecadou em um mês, R$5 milhões, isso contando as mensalidades, aluguel de cadeiras e estacionamento. Com cerca de 50 mil adesões, o carro-chefe do marketing gaúcho foi um sucesso em termos financeiros.

Mas, o site Máquina do Esporte investigou esses valores e revelou que os números não são exatamente estes. Seriam 50 mil sócios, sendo 43 mil adimplentes, onde 29 mil são sócio-torcedores e gastam R$ 25 por mês, enquanto os outros 14 mil associados pagam R$ 50. Além disso há 10 mil locatários de cadeiras, que têm uma mensalidade de R$ 100, mesmo valor pago mensalmente para o aluguel de cada um dos 200 boxes de estacionamento disponíveis no Estádio Olímpico.

Fazendo as contas, o clube gaúcho teria arrecadado cerca de 2,44 milhões de reais, metade do que fora divulgado pelo clube.

Fonte:
http://maquinadoesporte.uol.com.br/v2/noticias.asp?id=8508

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