O Nordestão e a estratégia das “equipes B”.

Há muito tempo torcedores, dirigentes e jornalistas clamam pela volta do Campeonato do Nordeste. Eu mesmo defendi várias vezes que um torneio regional seria mais interessante para os clubes pernambucanos do que o campeonato estadual, pois seria mais competitivo, deixá-los-ia mais preparados para encarar o nacional, teria mais público e renda.

Porém, a forma como esse Campeonato do Nordeste de 2010 foi montado merece críticas. Principalmente quanto à continuidade, pois esse ano aproveitará as datas da Copa do Mundo, mas ano que vem ninguém sabe. Claro que em 2011 haverá mais datas sem a Copa e isso permitirá a realização da competição se houver planejamento. Mas, ela será simultânea ao campeonato nacional.

Essa “concorrência” com o Brasileirão, série A, B, C ou D, é o que complica. Por isso o Sport decidiu não participar. Por isso também é que Náutico e Bahia já admitem usar times “B”. O Náutico, inclusive, usará até o treinador dos juniores, Sérgio China, deixando claro que o time que disputará a competição não será o principal.

Enquanto esse fato soa muito ruim para o campeonato e para a Liga, que já pensa em punir os clubes que usarem equipes “B”, parece um grande negócio para esses clubes. Não posso falar sobre a questão da punição, pois o presidente da Liga do Nordeste, Eduardo Rocha, disse que está previsto no contrato a utilização dos times principais. Na Lei, no Regulamento Geral das Competições da CBF, ou mesmo no bom senso, não há nada que impeça o clube de escalar jovens atletas em determinada competição para poupar os ditos titulares.

Mesmo ocorrendo durante a Copa do Mundo, o que não atrapalharia o rendimento dos clubes na Série B, o foco na subida de divisão justifica a utilização de times mistos ou até times “B”. Caso um titular se machucasse durante o Nordestão seria um grande prejuízo para o clube na disputa do nacional. Mas, a utilização dos juniores, a meu ver, é um excelente negócio para os clubes, não só para poupar titulares, muito mais para dar experiência aos garotos, que disputam poucas competições durante o ano.

Como disse o diretor de futebol do Bahia: “Vamos respeitar a grandeza da competição e aproveitá-la para utilizar nossas jóias da base”. É isso mesmo, tem que aproveitar para usar as jóias da base, dar mais horas de jogo a esses garotos, e ainda aumentar a visibilidade desses atletas. Investir na base é a chave para o sucesso e utilizá-la nessa competição é um grande negócio. Por isso entendo que o Náutico está certo em usar os atletas dos juniores e o Sport errou ao abandonar a competição, quando poderia aproveitar para colocar a base em campo, além daqueles que ficam subutilizados na equipe principal.

Respeito a posição do presidente da Liga, que quer ver os melhores times em campo e não um campeonato de juniores. Mas, concordo com a posição do Náutico, que deve mesmo aproveitar esse campeonato para valorizar os atletas da base. Só não concordo com uma punição a qualquer clube por isso, deve haver liberdade para escolher o time que entrará em campo. Para ter os melhores em campo não precisa de ameaças ou multas, precisa de uma competição atraente, e isso a gente vai ver se existe durante o campeonato.

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Kuki será diretor das categorias de base do Náutico.

O ex-jogador alvirrubro foi apresentado como novo diretor das categorias de base do Náutico. No início do ano o clube já queria ter feito essa transição do jogador, que se recusou para tentar continuar em campo por mais um ano. Sem espaço no Náutico e em outros clubes na função de atleta profissional, depois de alguns meses, Kuki aceitou o convite do clube e tornou-se integrante da comissão técnica.

Sem muita experiência como dirigente, porém, o ex-jogador fará cursos e se capacitará para a nova função. Ficou acertado também que o alvirrubro visitará outros clubes para adquirir conhecimento acerca das categorias de base. Ele também deverá observar o trabalho dos colegas de clube para entender melhor como funciona esse mundo extracampo.

“Como vocês sabem, eu não tive base. Comecei a trabalhar com 14 anos e comecei a jogar com 22. Mas eu estou pronto para ouvir. Muito mais pronto para ouvir do que para falar algumas coisa. Vou procurar me inteirar cada vez mais. As pessoas que estão acima de mim são muito mais experientes na área de ensinar às pessoas, e eu estou aqui para ajudar”, disse o novo diretor.

A contratação de Kuki, exatamente por ser um ídolo recente do clube, para dirigir as categorias de base, pode ter um bom efeito sobre os jovens atletas do clube. Mas, o fato dele ter pouca experiência e conhecimento na área, sendo necessário estudar para se qualificar, é um ponto fraco. Não é possível dizer, hoje, se Kuki fará um bom trabalho e se acrescentará algo ao clube.

Na minha opinião, se o clube queria evoluir, melhor as categorias de base e ter uma gestão mais perto do profissionalismo, o caminho não era a contratação de um ex-atleta sem conhecimento da função de diretor. Entendo que o melhor para o Náutico seria a contratação de um profissional já qualificado, com anos de estudo e experiência, que chegasse ao clube para acrescentar e fazê-lo evoluir e não para aprender. Se o clube queria o ex-jogador como dirigente, que deixasse ele se preparar, estudar e aprender antes de assumir essa responsabilidade.

Fonte: Blog do Torcedor

Dividir o estádio é boa ideia?

O ex-presidente do Atlético Paranaense, Mário Celso Petraglia, sugeriu a construção de um só estádio para o Atlético e o Coritiba. A Arena Atle-Tiba seria localizada onde hoje é a Arena da Baixada, mas teria capacidade para 42 mil pessoas e ainda um complexo poliesportivo com capacidade para 12 mil pessoas. O projeto custaria 250 milhões ao todo.

Para o ex-presidente, a paixão dos torcedores é o maior empecilho para o projeto:

– Vamos quebrar paradigmas, pensar grande, mostrar ao Brasil e ao mundo que somos gente civilizada. Vamos economizar esforços, deixar de ser mesquinhos, de fazer do futebol uma guerra. Vamos fazer o moderno, o que os números nos mostram, o que o mercado nos aponta. Vamos deixar nossa paixão para os 90 minutos da partida e fazer o que é preciso, o que devemos e que o momento nos faculta. Curitiba não comporta duas Arenas. Não há necessidade disso. Muito pelo contrário. A utilização de dois clubes traz melhor e maiores condições de viabilidade – afirmou Mário Celso Petraglia.

E em Pernambuco, um estádio só para os três clubes seria uma boa ideia?

Bom, dividir para três é bem mais complicado por conta do calendário e horário dos jogos, mas não é impossível. De fato, a economia dos clubes seria grande, pois dividiriam as despesas, o que viabilizaria um estádio maior e mais moderno. Os estádios atuais são antigos, têm problemas estruturais, de localização, acesso, estacionamento, segurança, conforto, higiente, etc. Então, um estádio moderno não seria uma má ideia.

Na verdade, o estádio moderno que todos querem será a Arena Capibaribe, a ser construída em São Lourenço. O Governo não abre mão do projeto e as outras ideias apresentadas também não o fizeram mudar de ideia, então, a construção, que ainda não começou, parece assunto encerrado. Esse estádio poderia ser mesmo a saída para os clubes, se todos aceitarem compartilhá-lo.

No caso de Pernambuco, apesar da forte rivalidade, não veja as torcidas como o maior problema, já que a arena será construída pelo Estado. O problema, na verdade, está naqueles dirigentes mais apegados a tradições, que teriam dificuldade em aceitar o fim dos antigos estádios. Sim, porque não adianta administrar dois estádios, a ideia é economizar. Ninguém aceita ouvir falar em demolir estádio, vender o terreno e etc., nossas torcidas têm grande dificuldade em se desapegar do passado.

Sobre a paixão atrapalhar os negócios, concordo com o ex-presidente atleticano, precisamos deixá-la para os 90 minutos de partida e administrar o clube sem essas limitações. Quanto à Arena Capibaribe, se a sua construção é mesmo inevitável, então que os clubes a usem e que dêem um destino mais lucrativo aos locais onde hoje estão os antigos estádios.

O ciclo.

Uma das coisas que eu mais gosto no futebol é a renovação, é o movimento cíclico, as voltas que esse mundo dá. Há pouco tempo estávamos lamentando a queda de dois clubes à Série B, agora parece que 2010 já começou e só se pensa no campeonato estadual.

O futebol é medido em temporadas e a cada ano tudo volta à estaca zero. Todos os clubes, os vencedores e os vencidos, só pensam em contratações, reforços e transferências. Rapidamente se esquece o ano que passou para planejar o seguinte. Afinal, todos começam com o mesmo número de pontos, zero, e todos têm chance de ser campeão, conquistar um acesso, uma vaga em outra competição, etc.

O Santa Cruz começou 2010 antes de todo mundo. Sim, porque a Copa Pernambuco não era uma competição de 2009, era uma preparação para 2010. Mas, fica no ar a pergunta: valeu a pena? Se o tricolor não conseguiu encontrar bons valores nessa competição e precisa contratar um time inteiro, então a Copa Pernambuco não serviu para muita coisa. Vamos esperar para ver se haverá uma “base” ou se teremos 30 caras novas no Arruda. O planejamento está correto, nada de loucura nem jogadores caros demais, o importante é ter um grupo forte e não um ou dois destaques individuais.

O Sport não perdeu muito tempo, começou 2010 antes mesmo do fim do campeonato nacional, afinal, já estava rebaixado mesmo. O clube contratou Givanildo Oliveira, que já assumiu e já indicou contratações. O rubro-negro fez o possível para manter uma base, mas a perda de alguns atletas, como Durval, era inevitável. E mantê-los, pelo alto custo, não parecia boa ideia. Mas, dessa vez, não parece que os atuais campeões estaduais vão largar na frente.

O Náutico é um caso à parte. O clube ainda não iniciou 2010, e corre o risco de só iniciar a próxima temporada mesmo em janeiro. Mais uma vez o alvirrubro vai começar o campeonato com vários atletas da base e deve contratar os reforços aos poucos no decorrer da competição. A confusão na eleição para presidente só prejudica o clube, que não renova contratos, não contrata jogadores, nem mesmo apresenta um treinador. Quem está no comando no momento deve assumir a responsabilidade e começar o novo ano, ou vai largar atrás dos concorrentes.

Futebol é isso, um ano atrás do outro, uma competição após a outra e uma nova chance de vencer a cada temporada. Os títulos ficam registrados no passado de glórias e os fracassos ficam na memória como lição. O mundo da bola já girou, 2009 já passou e a temporada 2010 já começou.

Bola para frente!

De volta à Série B

Sport e Náutico estão de volta à Série B do Campeonato Brasileiro. Boa ou má notícia? Por incrível que pareça, para algumas pessoas essa foi uma boa notícia, simplesmente porque isso deixará, teoricamente, o campeonato pernambucano mais nivelado.

O presidente da Federação Pernambucana de Futebol, Carlos Alberto Oliveira, disse que “gostou” do rebaixamento, pois o campeonato estadual ficará mais nivelado com a queda na receita dos clubes. Tudo bem que o nivelamento do camponato é importante para o mesmo, pois mantém a competitividade e deixa o campeonato mais atrativo. Mas, nivelar por baixo não é uma boa ideia.

A queda dos dois clubes trará mais prejuízos ao futebol pernambucano do que imagina o presidente da FPF. O campoenato terá menos importância e menos exposição na mídia nacional, o que, consequentemente, diminuirá a receita de todos com publicidade e patrocínio.

Torço pelo equilíbrio sim, e pela competitividade, mas espero que isso aconteça por termos clubes estruturados, profissionais e com bons elencos. Nada de nivelar por baixo.

Muito estádio para uma cidade só.

Sempre defendi a construção de estádios modernos e a modernização de estádios já existentes. Não é uma simples questão de conforto, comodidade, assentos numerados ou arquibancadas cobertas, trata-se da adequação de arenas arcaicas aos tempos modernos.

Mas, com a notícia de que o Náutico, junto com a Lusoarenas, pretende construir mais um estádio, além daquele que será erguido pelo Estado para a Copa de 2014, começo a me preocupar. Parece que teremos estádios demais para uma cidade só. Na verdade, como disse Gustavo Krause ao Blog do Torcedor, “futebol de menos, arena demais”.

O governo, finalmente, começou a se preocupar com o destino da Arena Capibaribe após a Copa. Antes pareciam tranquilos quanto à possibilidade do Náutico assumir o estádio, agora, com a notícia de que os alvirrubros querem construir sua própria arena, a preocupação aumentou.

O governo, agora, quer oferecer vantagens aos três clubes, Sport, Náutico e Santa Cruz, para que mandem jogos na nova arena. Resta saber se será interessante para esses clubes. O complicado é manter o próprio estádio e, na hora de lucrar com jogos mais importantes, levar a partida para a Arena. O perigo é os antigos estádios ficarem gerando prejuízo ao invés de renda. Além disso, há toda a problemática com relação aos donos de cadeiras e camarotes.

Modernizar sim, construir talvez, mas cada coisa ao seu tempo, com paciência e planejamento. Agora, faltando 4 anos para a Copa do Mundo, não há mais tempo para paciência, é preciso correr. Se vão construir esse estádio, que comecem logo. Se alguém vai assumir depois é outra estória. Mas, o fato é que, após a Copa, um belo estádio pode se tornar o símbolo de uma administração pública que gasta demais e planeja de menos.

Diretor remunerado é a solução?

Rebaixado à série B, o Sport resolveu mudar o esquema tático no extra campo. A ideia agora é contratar um diretor de futebol profissional, remunerado, que provavelmente será um ex-jogador que tenha identificação com o clube. Mas, será essa a solução?

O Santa Cruz adotou essa prática desde o ano passado, quando trouxe Luiz Antonio Ruas Capella para ser diretor remunerado de futebol. Agora trouxe Raimundo Queiroz para ocupar o cargo. E muitos dizem que o maior erro do Santa Cruz no ano passado foi ter formado um time e disputado a série D sem esse diretor.

O futuro presidente do Náutico, Toninho, já divulgou que terá Sangaletti como profissional remunerado à frente do futebol Timbu. O que não é novidade no clube, que já teve outros profissionais exercendo o cargo no passado recente.

O Sport, agora, depois de muitas cobranças sobre a diretoria de futebol, decidiu que vai abraçar a ideia e contratar um profissional. O risco é, se o time não tiver um bom rendimento, logo depois de demitirem o treinador, irem atrás da cabeça do diretor.

Na minha opinião a contratação de um diretor profissional, remunerado, é o caminho certo. Na verdade, os clubes deveriam ter profissionais de diversas áreas trabalhando dentro do clube, dedicando-se exclusivamente a isso. Diretor de futebol remunerado é pouco, é preciso ter profissionais remunerados no marketing, no jurídico, no administrativo, nos esportes olímpicos, etc. Especialistas que se dediquem ao clube e possam ser cobrados pelo seu trabalho. Pessoas que tenham o esporte como profissão, e não os que “trabalham” por paixão.

Será esse o primeiro passo rumo ao profissionalismo? Só o tempo dirá.

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