O acesso ao estádio e a cultura do brasileiro.

Todo mundo sabe que o brasileiro tem a cultura de deixar tudo para a última hora, de chegar atrasado e só entrar no estádio na hora do jogo. Isso ficou ainda mais evidente com a proibição de venda de bebidas alcoólicas dentro dos estádios. Mas, será que essa cultura é um problema, e tem como ser resolvido?

Essa semana, o advogado do Santa Cruz, Miguel Moura, pediu desculpas pelo fato de só ter dois portões abertos para a torcida e de todos os torcedores, incluindo do programa Todos com a Nota, terem entrado por esse local. Mas, o diretor jurídico foi além e criticou a postura dos torcedores:

“Sabemos que erramos e vamos corrigir esse erro. Garanto que não vai mais acontecer, mas temos que rever nossos costumes. O torcedor quer chegar no estádio apenas na hora do jogo e não pode ser assim”.

No atual estágio de evolução do futebol, do profissionalismo e do respeito aos torcedores (que precisa melhorar muito), não cabe criticar a torcida que quer entrar no estádio em cima da hora. O torcedor que compra o ingresso não tem o dever de chegar duas horas antes do jogo e tem o direito de entrar no estádio em qualquer momento. Os estádios precisam de mais estrutura e os clubes de mais organização. Se houvesse um número suficiente de portões para entrada, ninguém passaria por sufoco nem ficaria de fora do estádio.

Os clubes precisam se adequar à nova realidade, de profissionalismo e eficiência. E os torcedores, por sua vez, devem cobrar de seus clubes o respeito aos consumidores, ao Estatuto do Torcedor e às normas de Direito do Consumidor.

Fonte: Blog do Torcedor

Anúncios

Dividir o estádio é boa ideia?

O ex-presidente do Atlético Paranaense, Mário Celso Petraglia, sugeriu a construção de um só estádio para o Atlético e o Coritiba. A Arena Atle-Tiba seria localizada onde hoje é a Arena da Baixada, mas teria capacidade para 42 mil pessoas e ainda um complexo poliesportivo com capacidade para 12 mil pessoas. O projeto custaria 250 milhões ao todo.

Para o ex-presidente, a paixão dos torcedores é o maior empecilho para o projeto:

– Vamos quebrar paradigmas, pensar grande, mostrar ao Brasil e ao mundo que somos gente civilizada. Vamos economizar esforços, deixar de ser mesquinhos, de fazer do futebol uma guerra. Vamos fazer o moderno, o que os números nos mostram, o que o mercado nos aponta. Vamos deixar nossa paixão para os 90 minutos da partida e fazer o que é preciso, o que devemos e que o momento nos faculta. Curitiba não comporta duas Arenas. Não há necessidade disso. Muito pelo contrário. A utilização de dois clubes traz melhor e maiores condições de viabilidade – afirmou Mário Celso Petraglia.

E em Pernambuco, um estádio só para os três clubes seria uma boa ideia?

Bom, dividir para três é bem mais complicado por conta do calendário e horário dos jogos, mas não é impossível. De fato, a economia dos clubes seria grande, pois dividiriam as despesas, o que viabilizaria um estádio maior e mais moderno. Os estádios atuais são antigos, têm problemas estruturais, de localização, acesso, estacionamento, segurança, conforto, higiente, etc. Então, um estádio moderno não seria uma má ideia.

Na verdade, o estádio moderno que todos querem será a Arena Capibaribe, a ser construída em São Lourenço. O Governo não abre mão do projeto e as outras ideias apresentadas também não o fizeram mudar de ideia, então, a construção, que ainda não começou, parece assunto encerrado. Esse estádio poderia ser mesmo a saída para os clubes, se todos aceitarem compartilhá-lo.

No caso de Pernambuco, apesar da forte rivalidade, não veja as torcidas como o maior problema, já que a arena será construída pelo Estado. O problema, na verdade, está naqueles dirigentes mais apegados a tradições, que teriam dificuldade em aceitar o fim dos antigos estádios. Sim, porque não adianta administrar dois estádios, a ideia é economizar. Ninguém aceita ouvir falar em demolir estádio, vender o terreno e etc., nossas torcidas têm grande dificuldade em se desapegar do passado.

Sobre a paixão atrapalhar os negócios, concordo com o ex-presidente atleticano, precisamos deixá-la para os 90 minutos de partida e administrar o clube sem essas limitações. Quanto à Arena Capibaribe, se a sua construção é mesmo inevitável, então que os clubes a usem e que dêem um destino mais lucrativo aos locais onde hoje estão os antigos estádios.

O ciclo.

Uma das coisas que eu mais gosto no futebol é a renovação, é o movimento cíclico, as voltas que esse mundo dá. Há pouco tempo estávamos lamentando a queda de dois clubes à Série B, agora parece que 2010 já começou e só se pensa no campeonato estadual.

O futebol é medido em temporadas e a cada ano tudo volta à estaca zero. Todos os clubes, os vencedores e os vencidos, só pensam em contratações, reforços e transferências. Rapidamente se esquece o ano que passou para planejar o seguinte. Afinal, todos começam com o mesmo número de pontos, zero, e todos têm chance de ser campeão, conquistar um acesso, uma vaga em outra competição, etc.

O Santa Cruz começou 2010 antes de todo mundo. Sim, porque a Copa Pernambuco não era uma competição de 2009, era uma preparação para 2010. Mas, fica no ar a pergunta: valeu a pena? Se o tricolor não conseguiu encontrar bons valores nessa competição e precisa contratar um time inteiro, então a Copa Pernambuco não serviu para muita coisa. Vamos esperar para ver se haverá uma “base” ou se teremos 30 caras novas no Arruda. O planejamento está correto, nada de loucura nem jogadores caros demais, o importante é ter um grupo forte e não um ou dois destaques individuais.

O Sport não perdeu muito tempo, começou 2010 antes mesmo do fim do campeonato nacional, afinal, já estava rebaixado mesmo. O clube contratou Givanildo Oliveira, que já assumiu e já indicou contratações. O rubro-negro fez o possível para manter uma base, mas a perda de alguns atletas, como Durval, era inevitável. E mantê-los, pelo alto custo, não parecia boa ideia. Mas, dessa vez, não parece que os atuais campeões estaduais vão largar na frente.

O Náutico é um caso à parte. O clube ainda não iniciou 2010, e corre o risco de só iniciar a próxima temporada mesmo em janeiro. Mais uma vez o alvirrubro vai começar o campeonato com vários atletas da base e deve contratar os reforços aos poucos no decorrer da competição. A confusão na eleição para presidente só prejudica o clube, que não renova contratos, não contrata jogadores, nem mesmo apresenta um treinador. Quem está no comando no momento deve assumir a responsabilidade e começar o novo ano, ou vai largar atrás dos concorrentes.

Futebol é isso, um ano atrás do outro, uma competição após a outra e uma nova chance de vencer a cada temporada. Os títulos ficam registrados no passado de glórias e os fracassos ficam na memória como lição. O mundo da bola já girou, 2009 já passou e a temporada 2010 já começou.

Bola para frente!

Projetos do Santa Cruz para 2010: mais sócios e nada de série D.

Duas notícias sobre o Santa Cruz: A primeira é que o tricolor estaria se articulando junto com a Federação Pernambucana de Futebol para acabar com a série D. A segunda é o projeto do clube de ter 60 mil sócios em 2011.

A ideia de acabar com a série D, fazendo da série C a divisão de acesso, é mais ou menos como voltar no tempo. O presidente Carlos Alberto Oliveira foi quem sugeriu a mudança, mas, claro, Fernando Bezerra Coelho, presidente do Santa, abraçou a ideia.

“Essa é uma ideia que eu tenho. A Série D é um desastre e ainda foi feita de forma irregular. Não tivemos nenhum Conselho Arbitral para decidir quem queria ou não a criação desse torneio. Estou elaborando uma proposta, que será enviada para a apreciação de Virgílio Elízio (diretor técnico da Confederação Brasileira de Futebol)”, contou o presidente de FPF.

Engraçado é que, em dezembro de 2008, antes de iniciada a série D, eu mesmo apresentei a minuta de uma ação impugnando a Série D, e um dos fundamentos era exatamente a falta do Conselho Arbitral. A mesma, porém, nunca foi proposta. O clube preferiu agir nos bastidores, articulando politicamente, o que não deu resultado.

Agora, depois que já foi disputada a quarta divisão e quatro clubes conquistaram o acesso à série C dentro de campo, não vejo a possibilidade de se voltar atrás e unificar as últimas séries do campeonato brasileiro. Quem disputou e venceu dentro do campo não vai aceitar tal proposta, e duvido que a CBF também aceite.

Quanto ao rojeto de novos sócios, é louvável. Na verdade, a crítica que mais faço aqui no extracampo é exatamente a falta de campanhas de sócios nos clubes de Pernambuco. O Náutico lançou o sócio coroado, mas por enquanto ainda não teve o resultado almejado. O Sport perdeu a melhor chance, a Copa Libertadores, e agora, na série B, será ainda mais difícil conquistar novos sócios.

A meta tricolor, porém, é que parece alta. O projeto é ter 30 mil sócios no primeiro ano e 60 mil no segundo. Caso consiga, o Santa Cruz chegará ao segundo lugar no ranking dos clubes com mais sócios no Brasil. O primeiro é o Internacional, com 100 mil, o segundo o Grêmio com 50 mil. O projeto é ambicioso, mas se der resultado pode ser a chave para a evolução do Santa Cruz. Com 60 mil sócios o clube terá 93,68% da capacidade do estádio do Arruda com sócios.

Vamos aguardar para ver o desenrolar das duas ideias.

Fontes: Blog do Torcedor e Blog de Esportes

Muito estádio para uma cidade só.

Sempre defendi a construção de estádios modernos e a modernização de estádios já existentes. Não é uma simples questão de conforto, comodidade, assentos numerados ou arquibancadas cobertas, trata-se da adequação de arenas arcaicas aos tempos modernos.

Mas, com a notícia de que o Náutico, junto com a Lusoarenas, pretende construir mais um estádio, além daquele que será erguido pelo Estado para a Copa de 2014, começo a me preocupar. Parece que teremos estádios demais para uma cidade só. Na verdade, como disse Gustavo Krause ao Blog do Torcedor, “futebol de menos, arena demais”.

O governo, finalmente, começou a se preocupar com o destino da Arena Capibaribe após a Copa. Antes pareciam tranquilos quanto à possibilidade do Náutico assumir o estádio, agora, com a notícia de que os alvirrubros querem construir sua própria arena, a preocupação aumentou.

O governo, agora, quer oferecer vantagens aos três clubes, Sport, Náutico e Santa Cruz, para que mandem jogos na nova arena. Resta saber se será interessante para esses clubes. O complicado é manter o próprio estádio e, na hora de lucrar com jogos mais importantes, levar a partida para a Arena. O perigo é os antigos estádios ficarem gerando prejuízo ao invés de renda. Além disso, há toda a problemática com relação aos donos de cadeiras e camarotes.

Modernizar sim, construir talvez, mas cada coisa ao seu tempo, com paciência e planejamento. Agora, faltando 4 anos para a Copa do Mundo, não há mais tempo para paciência, é preciso correr. Se vão construir esse estádio, que comecem logo. Se alguém vai assumir depois é outra estória. Mas, o fato é que, após a Copa, um belo estádio pode se tornar o símbolo de uma administração pública que gasta demais e planeja de menos.

Diretor remunerado é a solução?

Rebaixado à série B, o Sport resolveu mudar o esquema tático no extra campo. A ideia agora é contratar um diretor de futebol profissional, remunerado, que provavelmente será um ex-jogador que tenha identificação com o clube. Mas, será essa a solução?

O Santa Cruz adotou essa prática desde o ano passado, quando trouxe Luiz Antonio Ruas Capella para ser diretor remunerado de futebol. Agora trouxe Raimundo Queiroz para ocupar o cargo. E muitos dizem que o maior erro do Santa Cruz no ano passado foi ter formado um time e disputado a série D sem esse diretor.

O futuro presidente do Náutico, Toninho, já divulgou que terá Sangaletti como profissional remunerado à frente do futebol Timbu. O que não é novidade no clube, que já teve outros profissionais exercendo o cargo no passado recente.

O Sport, agora, depois de muitas cobranças sobre a diretoria de futebol, decidiu que vai abraçar a ideia e contratar um profissional. O risco é, se o time não tiver um bom rendimento, logo depois de demitirem o treinador, irem atrás da cabeça do diretor.

Na minha opinião a contratação de um diretor profissional, remunerado, é o caminho certo. Na verdade, os clubes deveriam ter profissionais de diversas áreas trabalhando dentro do clube, dedicando-se exclusivamente a isso. Diretor de futebol remunerado é pouco, é preciso ter profissionais remunerados no marketing, no jurídico, no administrativo, nos esportes olímpicos, etc. Especialistas que se dediquem ao clube e possam ser cobrados pelo seu trabalho. Pessoas que tenham o esporte como profissão, e não os que “trabalham” por paixão.

Será esse o primeiro passo rumo ao profissionalismo? Só o tempo dirá.

I Seminário de Direito Desportivo na Prática

O Instituto Pernambucano de Direito Desportivo (IPDD) irá realizar no próximo dia 25 de Setembro um seminário na Faculdade Boa Viagem, que contará com a presença de grandes mestres do Direito Desportivo. O evento, organizado em parceria com o IBDD, apoiado pela FPF e pelos clubes de futebol de Recife, tratará dos principais temas do direito desportivo na atualidade. Confira o programa e os locais de inscrição no site do IPDD.

Folder Virtual

%d blogueiros gostam disto: