O dilema de Rivaldo (São Paulo x Mogi Mirim).

Rivaldo, campeão mundial com a Seleção Brasileira em 2002, é agora o protagonista de mais um caso singular no futebol brasileiro. Presidente do Mogi Mirim, Rivaldo foi contratado para jogar pelo São Paulo, que disputa a mesma competição. Isso levantou algumas questões acerca da ética no esporte.

Existe conflito de interesses nesse caso? O presidente de um clube é jogador de outro, e isso é, no mínimo, curioso. A FIFA criticou a situação, afirmando que havia “conflito de interesses”, o que é vedado segundo seus regulamentos. Mas, o caso não chegará à FIFA, deve ser resolvido pela Federação Paulista de Futebol e, se necessário, pela CBF. Devem ser levadas em consideração as normas da competição, os regulamentos da CBF e, claro, as leis nacionais.

A lei 9.615/98 (Lei Pelé) não trata especificamente sobre esse tipo de caso. Mas, traz uma norma que veda a participação de uma pessoa física ou jurídica na administração de duas entidades de prática desportiva que disputem a mesma competição. Na verdade, esse art. 27-A da Lei Pelé fala apenas em participação econômica, societária, administrativa, etc. Então, não veda que, por exemplo, um presidente de um clube seja jogador de outro.

Ainda que tal situação não seja exatamente “proibida”, não parece ser a ideal. Algumas situações já chamam a atenção. Rivaldo tinha contrato com o Mogi até o fim do ano. Pergunta-se: “como se operou a rescisão de contrato de Rivaldo e sua transferência para o São Paulo?” E mais, o próprio atleta informou que foi firmada uma parceria entre os dois clubes. Mas, o que chama mais atneção é a possiblidade dos dois se enfrentarem nas finais do campeonato.

Diante de tamanha “suspeição”, o mais indicado seria o afastamento de Rivaldo da presidencia do clube, ao menos temporariamente. Até porque a gestão de um clube requer dedicação, e a carreira de atleta também. Dificilmente o jogador conseguirá manter essa “vida dupla”.

O debate precisa acontecer, a ética no esporte necessita dessa discussão. Para isso, indico dois textos da Universidade do Futebol:

A contradição da vida dupla de Rivaldo de Marcelo Soares

Dois lados de Erich Beting

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O torcedor e o profissional.

Quem trabalha diretamente com o futebol, jornalistas, empresários, comentaristas, patrocinadores, treinadores e jogadores, na maioria das vezes, ou quase sempre, é apaixonado pelo esporte. E quem se apaixona por futebol normalmente tem um time de coração. Mas, o torcedor que quer ser profissional do esporte deve deixar de lado a paixão em prol do trabalho.

Comigo foi assim, quem me conhece sabe que hoje não levo a sério meu lado torcedor. Como profissional presto serviço a diversos clubes, até mesmo alguns rivais. Seja como blogueiro, comentarista, advogado ou consultor, tento ser imparcial e esquecer a paixão clubística. Quem quer ser profissional do futebol deve mesmo deixar de lado o torcedor e se concentrar apenas no esporte.

Um episódio reflete bem a dificuldade em separar o torcedor do profissi0nal. A empresa Locaweb fechou uma parceria com o São Paulo para dois jogos, mas o comentário de um funcionário da empresa pode ter prejudicado a relação. Alex Glikas, diretor comercial da Locaweb, publicou a seguinte mensagem no Twitter depois da vitória do Corinthians por 4 a 3 sobre o São Paulo: “Vamos LOCAWEB!!!!!!! Chupaaaaaaa bambizada!!!!!!!! TIMÃO eoooooo!!!!!!”.

Depois de muita polêmica, a empresa emitiu nota afirmando que a opinião do funcionário não reflete a opinião da empresa. O próprio Gilkas, depois do ocorrido, apagou a mensagem do Twitter, pediu desculpas à torcida do São Paulo e escreveu: “O torcedor tomou conta do profissional”.

Pois é, viram o que acontece quando o torcedor toma conta do profissional?

Então, se você pensa em trabahar com o futebol, a não ser que você seja empregado do seu clube de coração, comece a exercitar a imparcialidade e o profissionalismo. Ser torcedor pode atrapalhar bastante o profissional.

Fonte: Máquina do Esporte

Em São Paulo, jogos podem ser obrigados a encerrar até 23:15

Um Projeto de Lei está gerando muita polêmica, pois pretende proibir que jogos de futebol terminem após as 23:15. Assim, as partidas deveriam começar, no máximo às 21:00. Caso passe do horário limite, clubes e federações podem ser multados.

Muitos torcedores reclamam do horário dos jogos, que têm ficado cada vez mais tarde. Mas acredito que isso não deveria ser objeto de lei. Entendo que a questão do horário dos jogos deve ser resolvida pela emissora de TV, Federação Paulista de Futebol, clubes e torcedores. Alguns podem dizer: “mas, os torcedores não têm voz”. Têm sim, a voz é o ingresso.

Ora, como convencer as emissoras de TV, clubes e federações de que o horário do jogo deveria ser alterado se nos outros horários (mais cedo) o público não é muito diferente? Entendo que o problema de baixa frequencia de torcedores aos estádios não está tão ligada ao horário quanto muitos pensam, está sim muito mais conectada à segurança, estrutura e acesso aos estádios, conforto e higiene.

É bom lembrar que o horário dos jogos é o horário nobre da TV. Esse “horário nobre” é que, por alguma razão, talvez pelo simples passar do tempo, tem ficado mais tarde.

Vamos aguardar para ver até onde vai o legislativo paulista, para depois questionarmos: “além de futebol, outros eventos terão horário limitado, como shows, cinema e teatro?”

Vale a pena ler o Post de Erich Beting:

http://negociosdoesporte.blog.uol.com.br/

Hernanes se diz aliviado com o fim do período de transferências.

A janela de transferências para a Europa se encerrou em 31 de janeiro. Então, quem não foi negociado fica pelo menos até o meio do ano, quano a janela se abre novamente. O atleta mais cotado para deixar o Morumbi, o volante Hernanes, disse que estava aliviado pelo fim ad novela. Eleito entre os melhores volantes nas últimas três edições do Campeonato Brasileiro, Hernanes sempre teve seu nome vinculado a possíveis transferências para diversos clubes.

Para não passar em branco na janela, o tricolor negociou o zagueiro André Dias, por R$ 6,5 milhões, para a Lazio da Itália. De acordo com as notícias, o clube fez de tudo para manter o elenco e não perder muitos atletas para o mercado europeu. Mas, a verdade é que o São Paulo vive disso, está sempre negociando jogadores e se não o fizer corre o risco de fechar o ano com um balanço financeiro negativo.

Tanto o São Paulo quanto Hernanes se dizem aliviados com o fechamento da janela e a permanência do atleta no clube. Mas, depois de tantos anos especulando a transferência do jogador para grandes clubes europeus, não tenho certeza se eles estão tão felizes assim com a permanência do atleta. O São Paulo sabe que Hernanes é um jogador valioso e tem a consciência de que um dia ele será negociado e renderá uma fortuna ao clube. Hernanes também não pode esconder o desejo de atuar por um grande clube europeu e receber milhões de salário.

O grande problema nisso tudo é que as especulações já duram anos e nada se concretiza. Hernanes vive sendo pretendido por clubes europeus, mas ninguém abriu o cofre para ter o jogador ainda. O medo de todos é que ele comece a se desvalorizar, como no tempo em que caiu de rendimento no tricolor. Acredito que o tempo de Hernanes está passando e se ele não for embora logo valerá cada vez menos. Sinceramente, acredito que do meio do ano não passa.

Fonte: Globoesporte

O que fazer durante a Copa do Mundo?

Os clubes de futebol terão um bom tempo de paralisação devido à Copa do Mundo. A grande questão agora é: o que fazer nesse tempo? Temos três opções: dar férias ao elenco, ficar treinando ou disputar torneios.

Dar férias ao elenco não parece ser uma boa idéia, já que todos têm férias coletivas em dezembro, após o Campeonato Brasileiro. Com as férias, os atletas ficariam mais descansados, mas perderiam forma física e ritmo de jogo. Então, dar férias ao elenco só se for por um curto período.

Ficar treinando pode ser importante para reforçar a preparação física e dar mais entrosamento ao grupo. É normal que nesse período surjam novos contratados, então, essa seria uma boa chance de integrá-los ao grupo. Já que os clubes não conseguem fazer uma verdadeira pré-temporada devido aos campeonatos estaduais, o período da Copa do Mundo seria bom para investir na preparação física dos atletas.

Disputar torneios é, na minha opinião, a melhor opção. Fala-se em 45 ou 50 dias de paralisação, então, além de um torneio, haveria tempo para investir nos treinamentos, que também são indispensáveis.

A Copa do Nordeste pode renascer nesse período. Os clubes já conversam para tentar incluir o torneio nessas datas. Já os clubes do G4 paulista, São Paulo, Corinthians, Palmeiras e Santos, cogitam disputar torneios na América do Norte ou Europa, ou até mesmo organizar uma competição aqui no Brasil com convidados estrangeiros.

Esses torneios, além de serem úteis para manter os atletas em forma e com ritmo de jogo, seriam extremamente interessantes para os clubes, pois seriam fontes de receita, seja com patrocínio, TV ou bilheteria. Sem competições, o período da Copa deve gerar prejuízos aos clubes, que podem reverter a situação e buscar mais receitas nesse mesmo período.

É isso que querem os clubes paulistas, usar esse torneio para se capitalizar. O Corinthians já torce para que Ronaldo não vá mesmo à Copa e possa ser usado nesse torneio, atraindo mais investidores. O problema é que a final da Copa Libertadores é depois da paralisação, assim, caso algum desses chegue à final, pode optar por permanecer treinando ou enviar os reservas para o torneio.

Então, férias só se forem curtas, treinar é essencial, mas disputar torneios pode ser bom não só para o ritmo de jogo dos atletas como também, e principalmente, para os cofres dos clubes.

Kaká no Real Madrid.

kaka real madridO jogador confirmou em entrevista coletiva no Recife o que já era esperado. O meia vai defender o Real Madrid na próxima temporada. Uma transferência de 65 milhões de euros, a segunda mais cara da história do futebol mundial.

Recentemente o jogador rejeitou uma transferência ainda mais cara para o Manchester City. Na época eu disse que ficar no Milan era uma sábia decisão. Agora eu afirmo, ir para o Real Madrid é mesmo uma boa decisão.

Esse tipo de transferência não deve ser analisada com base nos números apenas. O jogador já tem estabilidade financeira para mais algumas vidas, a escolha não foi feita por ganância. Na verdade, o Milan precisava sim dessa verba e foi obrigado a “vender” o jogador. Mas, para Kaká, a transferência deve ser analisada pelo aspecto esportivo e não financeiro.

O Real Madrid é um dos maiores clubes do mundo e a nova “era galática” prometida pelo presidente eleito é a razão para que ele aceite a transferência. Diferente do Manchester City, no Real Madrid ele irá lutar pelos grandes títulos e pela coroa de melhor do ano. Esportivamente é um grande negócio, financeiramente nem se fala.

Quanto ao número que irá usar, Kaká já afirmou que não quer o nº 5, pois quer evitar comparações com Zidane. Concordo com ele, o jogador deve fazer a sua própria história e não seria nada bom viver à sombra de um ídolo recente do clube.

Quem deve estar bastante contente com a transação é o São Paulo. O tricolor vai receber uma parte desse montante por ser o clube formador. A FIFA estipula um valor máximo de 5% como mecanismo de solidariedade. Para ter diretio a toda essa verba o clube precisa manter o atleta dos 12 aos 23 anos. Kaká saiu do Morumbi com 18 anos, por isso o São Paulo receberá menos que os 5%.

São Paulo e Nacional: classificados sem jogar.

A Conmebol oficializou a saída dos clubes mexicanos da Copa Libertadores da América. A entidade decidiu que os clubes que disputariam a vaga nas quartas de final com os mexicanos se classificariam direto. Essa decisão, porém, não foi bem vista por outros clubes, como o Grêmio, que pretende questionar a decisão.

De fato, a classificação automática dos dois clubes acaba sendo injusta com os demais, que vão jogar para conquistar a vaga. Outra opção, e que me parece ser a mais correta, seria classificar os terceiro colocados dos grupos dos mexicanos, que jogariam as oitavas de final. Assim, o Everton, do Chile, entraria no lugar do Chivas e o Universitario, do Peru, ocuparia a vaga do San Luís.

A gripe atrapalhou a competição e a Conmebol tem se mostrado pouco hábil para lidar com a situação. A polêmica não vai acabar aqui e o assunto que parecia estar decidido poder ter uma reviravolta. O grande problema é que o impasse pode complicar o calendário e atrasar a competição. O que quer que seja que se decida, tem que ser logo.

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