Erro de direito na marca do pênalti.

Vejam que interessante: Na partida entre Icasa x Sport, pela segunda divisão do Campeonato Brasileiro, um pênalti gerou polêmica, mas não pela marcação da falta dentro da área (isso também, mas agora não interessa). A marca do pênalti estava a 9,50m da linha do gol, quando a regra determina 11m.

Isso não seria um “erro de direito”, capaz de anular a partida?

CBJD:

Art. 259. (…)

§ 1º A partida, prova ou equivalente poderá ser anulada se ocorrer, comprovadamente, erro de direito relevante o suficiente para alterar seu resultado.

Na descrição de Marcílio Krieger: “Erro de direito – é aquele erro que corresponde a uma inobservância a uma regra do jogo. Exemplo: o árbitro autorizar uma partida estando faltando um ou dois travessões dos gols; o árbitro permitir a realização ou continuação da partida com uma das equipes atuando com mais de 11 ou menos de 7 atletas”.
Não seria, portanto, erro de direito o árbitro autorizar uma cobrança de pênalti estando a marca posicionada 1,5m mais perto do gol?
Anúncios

Flamengo, Campeão Brasileiro de 1987 em 2011.

A CBF decidiu, depois de vinte e quatro anos, reconhecer o Flamengo como campeão brasileiro de 1987, título que pertencia apenas ao Sport. Agora, os dois clubes são considerados campeões daquele ano.

Sinceramente, não tenho mais paciência para essa discussão, porque não importa o que se diga, não importa as ações na justiça já transitadas em julgado, no final, quem vence é a política e não o direito.

Os fatos são incontroversos, o Flamengo disputou uma competição nacional organizada pelo Clube dos 13, que reunia o que, na época, consideravam-se os maiores clubes do país. O Sport disputou um campeonato brasileiro organizado pela CBF, com os mlehores que não haviam entrado naquela competição do C13. Não se pode considerar isso como Série A e B, eram mesmo duas competições autônomas. A CBF exigiu que os vencedores de cada campeonato se enfrentassem para decidir o verdadeiro “campeão brasileiro”. Flamengo e Internacional se recusaram a enfrentar Sport e Guarani, com isso a CBF reconheceu o Sport como Campeão Brasileiro. Esse é o resumo da história.

Agora, por que reconhecer, tantos anos depois, o título do Flamengo? Lembrando que a própria CBF declarou, no ano passado, que o Flamengo não era campeão e que o Sport era o único campeão de 1987. Se ano passado a decisão parecia política, uma espécie de represália eleitoral, esse ano não parece outra coisa…

Porém, o reconhecimento do título do Flamengo é “justo”. Simplesmente porque a CBF resolveu unificar títulos anteriores a 1971 como campeonatos brasileiros. Ora, o reconhecimento dos títulos da Taça Brasil e do Robertão, anteriores a 71 tinham um fundamento: eram campeonatos nacionais que davam ao campeão, na época, o status de campeão brasileiro. Seguindo essa lógica, deve-se reconhecer o Flamengo também como campeão brasileiro, pois apesar do campeonato que o mesmo venceu não ter sido organizado pela CBF, era nacional e deu ao rubro-negro o status de campeão brasileiro na época.

Esse reconhecimento, porém, é coisa para ficar nos livros, pois esportivamente foi o Sport quem venceu, quem disputou a Libertadores de 1988, quem tem a taça das bolinhas na sua sala de troféus e disfrutou durante todos esses anos do reconhecimento do título.

O título de 1987 não deve ser dividido, como muitos estão afirmando. Há dois campeões inteiros de torneios diferentes e não dois meio-campeões do mesmo campeonato.

Ao Flamengo, meus parabéns atrasado…

O Nordestão e a estratégia das “equipes B”.

Há muito tempo torcedores, dirigentes e jornalistas clamam pela volta do Campeonato do Nordeste. Eu mesmo defendi várias vezes que um torneio regional seria mais interessante para os clubes pernambucanos do que o campeonato estadual, pois seria mais competitivo, deixá-los-ia mais preparados para encarar o nacional, teria mais público e renda.

Porém, a forma como esse Campeonato do Nordeste de 2010 foi montado merece críticas. Principalmente quanto à continuidade, pois esse ano aproveitará as datas da Copa do Mundo, mas ano que vem ninguém sabe. Claro que em 2011 haverá mais datas sem a Copa e isso permitirá a realização da competição se houver planejamento. Mas, ela será simultânea ao campeonato nacional.

Essa “concorrência” com o Brasileirão, série A, B, C ou D, é o que complica. Por isso o Sport decidiu não participar. Por isso também é que Náutico e Bahia já admitem usar times “B”. O Náutico, inclusive, usará até o treinador dos juniores, Sérgio China, deixando claro que o time que disputará a competição não será o principal.

Enquanto esse fato soa muito ruim para o campeonato e para a Liga, que já pensa em punir os clubes que usarem equipes “B”, parece um grande negócio para esses clubes. Não posso falar sobre a questão da punição, pois o presidente da Liga do Nordeste, Eduardo Rocha, disse que está previsto no contrato a utilização dos times principais. Na Lei, no Regulamento Geral das Competições da CBF, ou mesmo no bom senso, não há nada que impeça o clube de escalar jovens atletas em determinada competição para poupar os ditos titulares.

Mesmo ocorrendo durante a Copa do Mundo, o que não atrapalharia o rendimento dos clubes na Série B, o foco na subida de divisão justifica a utilização de times mistos ou até times “B”. Caso um titular se machucasse durante o Nordestão seria um grande prejuízo para o clube na disputa do nacional. Mas, a utilização dos juniores, a meu ver, é um excelente negócio para os clubes, não só para poupar titulares, muito mais para dar experiência aos garotos, que disputam poucas competições durante o ano.

Como disse o diretor de futebol do Bahia: “Vamos respeitar a grandeza da competição e aproveitá-la para utilizar nossas jóias da base”. É isso mesmo, tem que aproveitar para usar as jóias da base, dar mais horas de jogo a esses garotos, e ainda aumentar a visibilidade desses atletas. Investir na base é a chave para o sucesso e utilizá-la nessa competição é um grande negócio. Por isso entendo que o Náutico está certo em usar os atletas dos juniores e o Sport errou ao abandonar a competição, quando poderia aproveitar para colocar a base em campo, além daqueles que ficam subutilizados na equipe principal.

Respeito a posição do presidente da Liga, que quer ver os melhores times em campo e não um campeonato de juniores. Mas, concordo com a posição do Náutico, que deve mesmo aproveitar esse campeonato para valorizar os atletas da base. Só não concordo com uma punição a qualquer clube por isso, deve haver liberdade para escolher o time que entrará em campo. Para ter os melhores em campo não precisa de ameaças ou multas, precisa de uma competição atraente, e isso a gente vai ver se existe durante o campeonato.

_______________________________________________

Não percam o Curso de Direito Desportivo na Escola Superior de Advocacia em Recife, segundas e quartas, de 31 de maio a 16 de junho. As  inscrições podem ser feitas através do site da ESA.

Sport mantém a Cimento Nassau, mas sem contrato.

O contrato entre o Sport e a Cimento Nassau, marca principal da camisa rubro-negra, encerrou no fim de 2009. Mesmo assim, o clube manteve a marca estampada na nova camisa, apresentada na última segunda-feira. Segundo o marketing do clube, a boa relação entre o clube e a empresa justificam a paciência nas negociações e o não rompimento entre ambos. Com isso, a empresa vai expondo sua marca de graça, justo no momento em que o time decide o campeonato pernambucano, tendo mais visibilidade.

Não posso julgar a postura do clube em manter o patrocinador mesmo sem contrato. Por um lado a atitude valoriza a relação entre o clube e a empresa, facilitando as negociações. Por outro lado, sem receber, o Sport poderia ter “limpado” a camisa, seja como forma de valorização da sua própria marca, seja como manobra para pressionar os patrocinadores a fecharem logo o acordo.

Na nova camisa, além da marca Cimento Nassau, o Sport estampa a SuperGasbras e do Banco BMG. Depois de um grande esforço do clube para diminuir a “poluição” na camisa, tendo em 2009 apenas o Cimento Nassau como patrocinador, o clube precisou aumentar o número de patrocínios para compensar a queda à série B.

Fonte: Máquina do Esporte

Dividir o estádio é boa ideia?

O ex-presidente do Atlético Paranaense, Mário Celso Petraglia, sugeriu a construção de um só estádio para o Atlético e o Coritiba. A Arena Atle-Tiba seria localizada onde hoje é a Arena da Baixada, mas teria capacidade para 42 mil pessoas e ainda um complexo poliesportivo com capacidade para 12 mil pessoas. O projeto custaria 250 milhões ao todo.

Para o ex-presidente, a paixão dos torcedores é o maior empecilho para o projeto:

– Vamos quebrar paradigmas, pensar grande, mostrar ao Brasil e ao mundo que somos gente civilizada. Vamos economizar esforços, deixar de ser mesquinhos, de fazer do futebol uma guerra. Vamos fazer o moderno, o que os números nos mostram, o que o mercado nos aponta. Vamos deixar nossa paixão para os 90 minutos da partida e fazer o que é preciso, o que devemos e que o momento nos faculta. Curitiba não comporta duas Arenas. Não há necessidade disso. Muito pelo contrário. A utilização de dois clubes traz melhor e maiores condições de viabilidade – afirmou Mário Celso Petraglia.

E em Pernambuco, um estádio só para os três clubes seria uma boa ideia?

Bom, dividir para três é bem mais complicado por conta do calendário e horário dos jogos, mas não é impossível. De fato, a economia dos clubes seria grande, pois dividiriam as despesas, o que viabilizaria um estádio maior e mais moderno. Os estádios atuais são antigos, têm problemas estruturais, de localização, acesso, estacionamento, segurança, conforto, higiente, etc. Então, um estádio moderno não seria uma má ideia.

Na verdade, o estádio moderno que todos querem será a Arena Capibaribe, a ser construída em São Lourenço. O Governo não abre mão do projeto e as outras ideias apresentadas também não o fizeram mudar de ideia, então, a construção, que ainda não começou, parece assunto encerrado. Esse estádio poderia ser mesmo a saída para os clubes, se todos aceitarem compartilhá-lo.

No caso de Pernambuco, apesar da forte rivalidade, não veja as torcidas como o maior problema, já que a arena será construída pelo Estado. O problema, na verdade, está naqueles dirigentes mais apegados a tradições, que teriam dificuldade em aceitar o fim dos antigos estádios. Sim, porque não adianta administrar dois estádios, a ideia é economizar. Ninguém aceita ouvir falar em demolir estádio, vender o terreno e etc., nossas torcidas têm grande dificuldade em se desapegar do passado.

Sobre a paixão atrapalhar os negócios, concordo com o ex-presidente atleticano, precisamos deixá-la para os 90 minutos de partida e administrar o clube sem essas limitações. Quanto à Arena Capibaribe, se a sua construção é mesmo inevitável, então que os clubes a usem e que dêem um destino mais lucrativo aos locais onde hoje estão os antigos estádios.

Pedido do Sport para anular gol do Palmeiras foi arquivado por falta de provas.

O Sport havia pedido a anulação do segundo gol do Palmeiras na partida que terminou 2 a 2 em São Paulo. No lance, o árbitro havia apitado um impedimento, mas depois deixou o jogo seguir e validou o gol do Palmeiras.

O Sport alegou ter ocorrido erro de direito e pediu a anulação do gol. O STJD, porém, não chegou a apreciar o pedido, arquivou o processo por falta de provas. Mesmo tendo as imagens e o áudio da televisão mostrando o lance.

“Essa decisão de arquivamento alegando falta de provas foi no mínimo singela. O STJD alega que o Sport não conseguiu uma confissão do árbitro. Mas a própria CBF posteriormente puniu o árbitro (foi afastado de forma preventiva). Esse foi um erro de repercussão nacional e internacional. O Sport vai apelar e recorrer da decisão”, destacou o vice-presidente jurídico do Sport, Eduardo Carvalho.

A decisão é mesmo curiosa. O que mais era necessário provar se a CBF admitiu o erro do árbitro e o puniu, e se o lance, reprisado milhares de vezes pelas emissoras de TV, está gravado? Com o fim do campeonato, não parecia haver muito interesse do próprio tribunal em julgar um caso tão polêmico. O melhor foi arquivar. O Sport pode recorrer, mas é improvável que algo mude.

O ciclo.

Uma das coisas que eu mais gosto no futebol é a renovação, é o movimento cíclico, as voltas que esse mundo dá. Há pouco tempo estávamos lamentando a queda de dois clubes à Série B, agora parece que 2010 já começou e só se pensa no campeonato estadual.

O futebol é medido em temporadas e a cada ano tudo volta à estaca zero. Todos os clubes, os vencedores e os vencidos, só pensam em contratações, reforços e transferências. Rapidamente se esquece o ano que passou para planejar o seguinte. Afinal, todos começam com o mesmo número de pontos, zero, e todos têm chance de ser campeão, conquistar um acesso, uma vaga em outra competição, etc.

O Santa Cruz começou 2010 antes de todo mundo. Sim, porque a Copa Pernambuco não era uma competição de 2009, era uma preparação para 2010. Mas, fica no ar a pergunta: valeu a pena? Se o tricolor não conseguiu encontrar bons valores nessa competição e precisa contratar um time inteiro, então a Copa Pernambuco não serviu para muita coisa. Vamos esperar para ver se haverá uma “base” ou se teremos 30 caras novas no Arruda. O planejamento está correto, nada de loucura nem jogadores caros demais, o importante é ter um grupo forte e não um ou dois destaques individuais.

O Sport não perdeu muito tempo, começou 2010 antes mesmo do fim do campeonato nacional, afinal, já estava rebaixado mesmo. O clube contratou Givanildo Oliveira, que já assumiu e já indicou contratações. O rubro-negro fez o possível para manter uma base, mas a perda de alguns atletas, como Durval, era inevitável. E mantê-los, pelo alto custo, não parecia boa ideia. Mas, dessa vez, não parece que os atuais campeões estaduais vão largar na frente.

O Náutico é um caso à parte. O clube ainda não iniciou 2010, e corre o risco de só iniciar a próxima temporada mesmo em janeiro. Mais uma vez o alvirrubro vai começar o campeonato com vários atletas da base e deve contratar os reforços aos poucos no decorrer da competição. A confusão na eleição para presidente só prejudica o clube, que não renova contratos, não contrata jogadores, nem mesmo apresenta um treinador. Quem está no comando no momento deve assumir a responsabilidade e começar o novo ano, ou vai largar atrás dos concorrentes.

Futebol é isso, um ano atrás do outro, uma competição após a outra e uma nova chance de vencer a cada temporada. Os títulos ficam registrados no passado de glórias e os fracassos ficam na memória como lição. O mundo da bola já girou, 2009 já passou e a temporada 2010 já começou.

Bola para frente!

%d blogueiros gostam disto: