Projeto e lei prevê regras sobre a venda dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro.

O Deputado Mendonça Filho (DEM-PE) apresentou recentemente um projeto de lei que visa criar regras sobre a venda dos direitos de transmissão dos Campeonatos Brasileiros de todas as divisões. Duas questões são cruciais na proposta: a obrigatoriedade de negociação coletiva e a forma de divisão das cotas.

Segundo o projeto, os clubes devem se unir e indicar uma entidade ou associação que negociará os direitos de transmissão de toda a competição, proibindo assim a negociação individual. Recentemente, depois de um “racha” no Clube dos 13, vários clubes começaram a negociar individualmente a transmissão de seus jogos com emissoras de TV, o que antes era feito coletivamente através do C13.

De acordo com a justificativa do projeto, essa forma de negociação privilegia os clubes mais fortes, aumentando cada vez mais o abismo entre clubes que disputam a mesma competição. O projeto cita como exemplo a negociação dos direitos televisivos da Liga Espanhola, que é feita de forma individual, e privilegia Barcelona e Real Madrid, que recebem 50% do montante, sendo o resto dividido entre todos os outros clubes. Por essa razão, segundo o projeto, é que os dois maiores clubes espanhóis estão sempre isolados na busca pelo título, anos-luz na frente dos adversários. Como exemplo positivo de negociação coletiva o PL cita as ligas inglesa, francesa, italiana e alemã.

Quanto à divisão das cotas, o PL 2019/2011 prevê a seguinte fórmula: 50% divididos igualmente entre os participantes da competição; e os outros 50% seriam divididos de acordo com a classificação da equipe no campeonato anterior e a audiência de cada clube.

Já falamos anteriormente sobre a divisão de cotas no Campeonato Brasileiro, criticando o modelo atual e a forma como era conduzida pelo Clube dos 13. A ideia do projeto, então, é salutar, pois visa diminuir a distância financeira entre os clubes, gerando uma certa “igualdade”, aumentando a competitividade, atratividade e estabilidade da competição. A forma de divisão proposta é interessante, pois prevê uma divisão igualitária de metade da verba e também uma divisão de acordo com o mérito e com a exposição de cada clube.

O problema do projeto é que invade uma área de iniciativa privada, invade a liberdade dos clubes, associações e federações, impondo regras através de lei. Isso esbarra, principalmente, na autonomia de organização e funcionamento prevista no art. 217 da Constituição Federal.

Você pode conferir o texto do PL 2019/2011 pelo link: http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=515563

 

Em São Paulo, jogos podem ser obrigados a encerrar até 23:15

Um Projeto de Lei está gerando muita polêmica, pois pretende proibir que jogos de futebol terminem após as 23:15. Assim, as partidas deveriam começar, no máximo às 21:00. Caso passe do horário limite, clubes e federações podem ser multados.

Muitos torcedores reclamam do horário dos jogos, que têm ficado cada vez mais tarde. Mas acredito que isso não deveria ser objeto de lei. Entendo que a questão do horário dos jogos deve ser resolvida pela emissora de TV, Federação Paulista de Futebol, clubes e torcedores. Alguns podem dizer: “mas, os torcedores não têm voz”. Têm sim, a voz é o ingresso.

Ora, como convencer as emissoras de TV, clubes e federações de que o horário do jogo deveria ser alterado se nos outros horários (mais cedo) o público não é muito diferente? Entendo que o problema de baixa frequencia de torcedores aos estádios não está tão ligada ao horário quanto muitos pensam, está sim muito mais conectada à segurança, estrutura e acesso aos estádios, conforto e higiene.

É bom lembrar que o horário dos jogos é o horário nobre da TV. Esse “horário nobre” é que, por alguma razão, talvez pelo simples passar do tempo, tem ficado mais tarde.

Vamos aguardar para ver até onde vai o legislativo paulista, para depois questionarmos: “além de futebol, outros eventos terão horário limitado, como shows, cinema e teatro?”

Vale a pena ler o Post de Erich Beting:

http://negociosdoesporte.blog.uol.com.br/

Direito de Arena para os árbitros.

Esse é um tema polêmico que já está sendo discutido nos tribunais de justiça. Enquanto os atletas têm garantido por lei o direito a 20% do que o clube recebe pela transmissão do jogo, como uma forma de remuneração pela exposição da imagem, os árbitros que também fazem parte do espetáculo nada recebem.

O direito de negociar a transmissão do espetáculo é dos clubes, que são os detentores da imagem coletiva do time. O atleta, por exemplo, não pode se recusar a ser filmado em um jogo, pois ele está inserido naquele coletivo. Em troca dessa exposição, porém, o legislador concedeu aos praticantes 20% do montante a título de Direito de Arena

Os árbitros, os treinadores, os médicos, todos, eventualmente, também acabam por ter sua imagem exposta na transmissão televisiva. Para os treinadores e os árbitros isso é bastante significativo, pois são personagens com grande exposição. Na verdade, a exposição do árbitro é tanta que pode gerar até prejuízos devido à insatisfação de alguns torcesores. Os treinadores, além da imagem física, ainda têm suas palavras expostas na TV, pois tornou-se comum a utilização de microfones que captam as ordens ao time.

Entendo que a cobrança dos árbitros é válida e deve ser reconhecida pelo judiciário. Os sindicatos dos árbitros já iniciaram a briga, que ainda não teve resultado final. Caso a decisão seja favorável ao sindicato, resta estabelecer a porcentagem que lhes caberá. É importante evidenciar que, se vários participantes do evento tiverem o Direito de Arena reconhecido, os clubes podem ter que dividir bastante o bolo das cotas de TV.

Sobre a diferença entre Direito de Imagem e Direito de Arena clique aqui.

Abaixo, o art. 42 da LEi 9.615/98 (Lei Pelé)

Art. 42. Às entidades de prática desportiva pertence o direito de negociar, autorizar e proibir a fixação, a transmissão ou retransmissão de imagem de espetáculo ou eventos desportivos de que participem.

§ 1o Salvo convenção em contrário, vinte por cento do preço total da autorização, como mínimo, será distribuído, em partes iguais, aos atletas profissionais participantes do espetáculo ou evento.

§ 2o O disposto neste artigo não se aplica a flagrantes de espetáculo ou evento desportivo para fins, exclusivamente, jornalísticos ou educativos, cuja duração, no conjunto, não exceda de três por cento do total do tempo previsto para o espetáculo.

§ 3o O espectador pagante, por qualquer meio, de espetáculo ou evento desportivo equipara-se, para todos os efeitos legais, ao consumidor, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990.

Futebol em 3D ainda não é o que se espera.

O anúncio de que o clássico inglês Arsenal x Manchester United seria transmitido em 3D para alguns Pubs do Reino Unido mexeu com o mundo do futebol. Mas, para aqueles que tiveram o privilégio de assistir à partida com essa tecnologia, a transmissão ainda não é grande coisa. Na verdade, apenas em poucos momentos foi possível perceber o efeito 3D, que ainda deve ser aprimorado para se tornar algo comum e adequado ao futebol.

O sucesso do filme Avatar em 3D, que lotou salas de cinema por todo o mundo, deixou todos ansiosos para ver o jogo do campeonato inglês com essa tecnologia. Mas, claro, a partida não foi nada igual ao filme e para ter o mesmo efeito ainda será preciso muito estudo e aprimoramento da tecnologia. As TVs com tecnologia 3D já estão chegando ao mercado e é possível que algumas partidas da Copa do Mundo 2010 sejam transmitidas dessa forma. Mas, quem acompanhou a experiência inglesa admite que ainda não é hora de investir em aparelhos caros, vale mais à pena ir mesmo ao estádio.

A Copa do Mundo 2014, no Brasil, já pode ter resulatdos melhores. O Brasil quer investir na novidade e fazer transmissão de jogos para salas de cinema com a tecnologia 3D. Daqui para lá tem tempo suficiente para que a tecnologia seja aprimorada e melhore a qualidade. Claro que não será igual a estar presente no estádio, mas a experiência de ver o jogo pela tela da TV ou do cinema pode crescer bastante nos próximos anos.

Apesar das críticas, confesso que estou ansioso para ver um jogo em 3D, principalmente se for a final de Copa do Mundo.

Fonte: Globoesporte

O fim do futebol de graça na TV.

Preocupados com o fim da lei que concedia um regime tributário diferenciado aos jogadores de futebol estrangeiros, os espanhois começam a procurar novas fontes de renda para tapar o buraco.

Conhecida como “Lei Beckman”, a norma permitia que jogadores estrangeiros pagassem apenas 24% de imposto sobre o salário, enquanto o resto dos trabalhadores na Espanha pagam 43%. Depois de muitas críticas, até mesmo de clubes de outros países, que viam nessa norma uma concorrência desleal, é provável que ela chegue ao fim.

O clubes espanhois agora buscam novas receitas, e a primeira deve ser o fim dos jogos de graça, transmitidos pela TV aberta. Seguindo o exemplo de países como a Inglaterra e a Itália, a Liga Espanhola deve restringir as transmissões ao sistema pay-per-view. Além disso, os gols da rodada só seriam liberados após 24h, forçando os torcedores a adquirir os jogos.

Fica a questão: será esse o melhor caminho?

No Brasil, o fim dos jogos do Campeonato Brasileiro na TV aberta seria bastante criticado. O argumento seria o de sempre, a condição financeira do povo brasileiro e o futebol como forma de lazer para a massa, etc. Isso impediria, em tese, a adoção do sistema levantado pelos espanhois. Mas, para muitos, o futebol é quase sempre pago.

Os clubes de Pernambuco na Série A, por exemplo, tiveram pouquíssimos jogos transmitidos pela TV aberta, a Globo Nordeste. De graça memso só jogos do Corinthians e do Flamengo. Ou seja, fora do eixo Rio – São Paulo a transmissão gratuita não é assim tão comun. Os torcedores já estão acostumados a adquirir o pacote da TV por assinatura ou ir assistir o jogo em um bar. Então, será que é tão essencial permanecer com o futebol na TV aberta?

Se a ideia chegar aqui não será assim tão cedo, mas a aceitação pode não ser tão dificil como se imagina.

Leiam a excelente matéria de Décio Lopes no Globoesporte.com

Audiência do Corinthians

A medição da audiência do Campeonato Brasileiro tem revelado algumas surpresas. Primeiro os números da Globo estavam em queda, enquanto na Band estavam em alta. Agora, um jogo “nada a ver” entre Vitória e Corinthians é recorde de audiência. Alguém explica?

O crescimento da audiência da Band em detrimento da Rede Globo pode se justificar pela simpatia que alguns têm pelos comentaristas da Band, ou pela antipatia com os narradores da Globo. Fato é que, ao que tudo indica, tem gente mudando de canal na hora do futebol.

O que eu não entendi foi a audiência recorde, 30 pontos, para o jogo entre Vitória e Corinthians, que além de não valer coisa alguma para o desfecho do campeonato, acontecia na mesma hora de São Paulo e Internacional, em confronto direto pelo título.

Tudo bem que a torcida do Corinthians é grande e a audiência é medida em São Paulo, mas achar que é a torcida do Timão responsável por tudo isso (o aumento da audiência de Neto, comentarista da Band, e o recorde em um jogo sem sal) talvez seja moral demais. Mas, ao que tudo indica, é iso mesmo.

Fato é que as maiores audiências são mesmo do time de Ronaldo. A maior de todas é a final da Copa do Brasil. Talvez a audiência explique a escolha das emissoras em transmitir os jogos do Corinthians no lugar de partidas mais interessantes para o campeonato.

Fonte: Máquina do Esporte

Espanha: futebol às 15h para japonês ver.

Na Espanha vem se discutindo a criação de um novo horário para as partidas de futebol, às três da tarde. O objetivo é conquistar o mercado asiático, que transmitiria partidas ao vivo no horário nobre, nove da noite.

Os catalães, Barcelona e Espanyol, encabeçam o movimento. A idéia é ter ao menos uma partida da rodada nesse horário. A inspiração vem da Inglaterra, que já realiza partidas à uma da tarde para se encaixar no horário asiático.

A razão para isso é muito clara, o poder financeiro dos consumidores asiáticos. Há tempos que os clubes europeus tentam explorar esse mercado, seja com excursões, com jogos em horários ingratos ou até mesmo contratando atletas orientais. O Espanyol, por exemplo, acaba de assinar com o japonês Nakamura.

Além dessa ideia, já se discute na Europa o horário das partidas. Afinal, assim como ocorre no Brasil, o horário nobre da TV é muito tarde, 22h. Se é bom para a TV, em contrapartida, é ruin para o público.

O site Sport.es, que traz a notícia, afirma que apesar da renda obtida através dos sócios e torcedores estar perdendo espaço para os patrocínios e direitos de TV, são aqueles que sustentam o clube com a sua paixão. Apesar do horário ser bom para assistir futebol na TV, não há nada mais triste que um estádio vazio.

E você, torcedor, o que pensa das partidas às 22h na quarta-feira?

Eu digo logo, ultimamente tenho dormido no intervalo.

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