20 anos da tragédia de Hillsborough.

hillsborough-tragedyNa quarta-feira, 15 de abril, o Liverpool fez uma homenagem aos torcedores mortos na tragédia que mudou a história do futebol inglês. Os torcedores lembraram as 96 vítimas, na maioria torcedores do Liverpool, fazendo dois minutos de silêncio exatamente às 15:06, hora em que o árbitro decidiu parar a partida, 20 anos atrás.

A partida contra o Nottingham Forest, pela semifinal da Copa da Inglaterra no estádio de Hillsborough, de propriedade do Sheffield Wednesday, ficou marcada por uma tragédia causada pelo excesso de público e pela negligência da polícia e dos organizadores. 96 torcedores morreram esmagados.

hillsborough_tragedyEssa tragédia mudou a história do futebol inglês, foi o “ponto da virada” contra o descaso, o mal tratamento aos torcedores, o despreparo da polícia e, claro, os hooligans. Mas, não foram os baderneiros que causarm o incidente, foi o simples excesso de público diante de um forte alambrado no estádio, uma questão de estrutura e organização.

Lembrar esse caso nos remete imediatamente à atual situação dos nossos estádios aqui no Brasil. Ainda convivemos com o descaso, o despreparo da polícia e o mal tratamento aos torcedores, além de uma péssima infra-estrutura nas praças esportivas.

Felizmente, uma tragédia de tamanha proporção nunca aconteceu por aqui. Mas, não podemos esperar a morte de uma centena de pessoas para começar a mudar a nossa realidade. A Copa do Mundo vem aí e precisamos nos preparar. Sempre defendi a retirada dos alambrados e a aplicação de sanção a clubes e torcedores invasores. O torcedor deve ser tratado como consumidor e não como gado.

Que fique a lição britânica.

Fonte: ESPN

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Ingleses observaram de perto a violência das torcidas.

Clássico das multidões, cerca de 26 mil torcedores e uma certeza: “vai ter confusão”. E não deu outra, briga entre torcidas, briga entre a polícia e os torcedores do Sport, briga entre a polícia e torcedores do Santa Cruz. Aquela estória que já estamos acostumados, infelizmente.

O policiamento foi precário, faltou efetivo nas zonas mais críticas e sobrou despreparo dos PMs na hora de lidar com a confusão. Infelizmente, isso não é novidade, a ação da PM dentro dos estádios tem sido, há muito tempo, incompreensível. A polícia acaba causando mais violência, correria, empurrão, joga gás de pimenta em inocentes e ainda toma atitudes como retirar torcedores por dentro da torcida adversária, além de programar a saída da maior torcida antes da menor (coisa que eu nunca consegui entender).

E o pior é que autoridades inglesas, que vieram a Recife para um encontro sobre violência de torcidas, presenciaram o quanto nosso país está longe de solucionar o problema. E um deles ainda disse: “isso parece a Inglaterra da década de 80”.

Será que teremos que esperar vinte anos para ver alguma mudança? Será que a Copa do Mundo será um “evento milagroso” capaz de mudar tudo da água para o vinho? Eu ainda não acredito nisso. Mas, vejo que existem pessoas se empenhando para tal, infelizmente são poucas.

Vale a pena ler o testemunho de Cassio Zirpoli, do Blog de Esportes do Diário de Pernambuco, que acompanhou de perto a desorganização do nosso futebol.

Carteirinha de torcedor (mais sobre o mesmo)

Acabo de ler no Blog do Juca Kfouri um texto de Oliver Seitz sobre a carteirinha de torcedor. O pesquisador da Universidade de Liverpool lembra que a ideia foi suscitada na Inglaterra após graves incidentes causados pelos hooligans, mas, o projeto foi descartado.

Já escrevi em outros artigos que o Brasil precisa, na verdade, de estudos sobre a violência e não de propostas vazias baseadas em “achismos” de políticos. O Brasil precisa de um relatório, como na Inglaterra se fez o Relatório Taylor, que indicará os caminhos para solucionar o problema. Enquanto isso não for feito, o governo continuará com propostas sem efeito.

A OAB do Rio de Janeiro, por sinal, já criticou a iniciativa. No futuro, mais críticas irão surgir e é possível que o projeto seja, por fim, descartado. Vamos esperar para ver.

Enquanto isso, não deixe de ler o texto do colega Oliver Seitz.

Torcedor iraquiano atira da arquibancada para impedir o gol.

Essa é uma notícia nada agradável de se comentar. No Iraque, um torcedor, para impedir que o atacante adversário empatasse a partida, simplesmente sacou uma pistola e matou o jogador.

A partida já estava nos minutos finais e o atleta estava frente a frente com o goleiro para empatar o jogo quando levou o tiro. O atlteta faleceu. O “torcedor-zagueiro assassino” foi preso pela polícia.

Ja comentamos diversas formas de violência no futebol, mas essa foi única. Só espero que a moda não se espalhe. Quem perde mais com isso tudo (além do jogador que perdeu a vida) é o futebol iraquiano, que já não era tão bom assim.

Infelizmente, tem gente que leva o futebol a sério demais. Falta a todos perceber que, no final, é só um esporte, e sempre haverão vencedores e perdedores. A vida ainda é mais importante.

O GLOBO

Carteirinha de torcedor.

O governo está buscando medidas para acabar com a violência nos estádios. A principal proposta agora é a criação de uma carteirinha para os torcedores, com foto, numero de indentidade e CPF.

Isso lembra a proposta dos argentinos, que também pretendem criar uma identificação para os torcedores. Mas, essa medida, por si só não irá evitar os atos de violência, irá, apenas, dificultar a entrada de todos nos estádios.

O que precisamos, e parte está sendo feito com as mudanças propostas para o Estatuto do Torcedor, é punir severamente os vândalos, proibindo-os de frequentar os estádios.

A  carteira, então, só serve para pôr em prática as penas aplicadas pela justiça. Assim, o Juizado do Torcedor, por exemplo, ao punir um torcedor, para que ele não retorne ao estádio, retirar-lhe-á a carteira.

O problema é que se criará mais uma burocracia e se dificultará a entrada de pessoas nos estádios. Como ficam, por exemplo, os turistas que visitarem o Brasil, e as pessoas que, sem carteira, decidem ir pela primeira vez a um estádio?

Mais uma vez a coletividade pagará o preço pela minoria.

A violência nos estádios

Os olhos do povo e das autoridades têm se voltado para o problema da violência nos estádios de futebol. Mas, enquanto os torcedores pedem medidas para resolver o problema, o governo vem com propostas isoladas e ineficazes.

O erro é pensar que uma medida, ou duas, poderá resolver o problema. O erro é permanecer na base do “achismo” e propor medidas paliativas que não resolverão a questão.

Na Inglaterra, onde se sofreu muito mais com a violência das torcidas, a solução veio de um relatório. Primeiro foi o “Relatório Popplewell”, que sugeria medidas rígidas, mas que não tiveram efeito. Depois veio o “Relatório Taylor”, que foi a base do governo para orientar as medidas que, finalmente, contiveram a violência no Reino Unido.

O Brasil precisa de um relatório, de um estudo minucioso, com pesquisas acadêmicas, investigações policiais e análises científicas. Só com uma base teórica sólida será possível determinar as melhores medidas para solucionar o problema. Propor leis isoladas, sem desenvolver um conjunto de ações integradas, não mudará a situação.

Precisamos de uma lei específica sim, mas só ela não resolve. Precisamos de punições severas sim, mas só isso não basta. Ações isoladas não terão resultado. Proibir o álcool, as torcidas organizadas, a entrada de menores, nada disso será suficiente sem um conjunto de medidas sérias. O Brasil precisa de uma revolução, uma mudança significativa e não paliativos sem fundamento.

Precisamos de: lei específica, policiais preparados, estádios estruturados, punições aos vândalos, identificação dos criminosos, retirada dos alambrados, assentos numerados, punições a dirigentes que incitam a violência, etc.

Contudo, não podemos esperar que o poder público resolva sozinho esse problema. Os clubes e federações, maiores prejudicados pela violência, precisam agir. O clube pode, por exemplo, cadastrar torcedores, proibir a entrada daqueles punidos pela justiça, usar segurança privada, circuito de TV, etc.

Os clubes devem ser os primeiros a buscar soluções para o problema da violência. É dever do Estado zelar pela segurança dos cidadãos, mas, não podemos ficar de braços cruzados esperando a solução. Se escolhemos não fazer nada, então assumimos toda a culpa.

Proposta para proibir menores nos estádios.

O deputado estadual Clodoaldo Magalhães, do PTB, apresentou uma proposta para proibir o acesso de menores desacompanhados nos estádios. Uma medida, sem dúvida, polêmica.

A violência tem assustado, e os olhos do país têm se voltado mais para o problema. Com isso, surgem propostas diversas, algumas interessantes, outras nem tanto. A proposta em questão não parece ser das melhores.

A proposta é um atentado contra a liberdade de ir e vir dos jovens. Além disso, a medida não evita que eles pratiquem atos de violência fora dos estádios, onde tem sido maior o problema. A proposta é uma violação aos direitos individuais e contrária ao Estado democrático de direito.

Para criar propostas mais consistentes e que possam realmente resolver o problema, são necessários estudos, sejam acadêmicos, investigações policiais, seminários, etc. Precisamos entender o problema para encontrar a melhor solução.

Indico a leitura da entrevista com a socióloga Heloisa Reis no Blog Casa do Torcedor.

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A violência nos estádios será um dos temas do Curso de Direito Desportivo. Para fazer a pré-inscrição acesse o site da ESA. O programa está aqui. O curso acontecerá nos dias 06, 07, 14 e 15 de abril.

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