Clubes ou empresas, o que é melhor?

novo basquete brasilA debandada recente do vôlei profissional levantou uma questão importante para o esporte. Qual o melhor modelo, o das empresas que dão nome aos times ou de clubes que apenas estampam a marca do patrocinador?

O assunto foi levantado por José Carlos Brunoro, um dos maiores nomes do marketing esportivo brasileiro, que agora trabalha a imagem do basquete no país. O novo basquete brasileiro, ao contrário do vôlei, deve se apoiar em clubes mesmo e não em empresas.

Segundo Brunoro:

“Hoje é muito difícil você tirar do vôlei a cultura do time com nome de empresa, e os clubes de basquete já estão se alinhando a essa nova estrutura. Vai trocar o nome do patrocinador pela visibilidade dele, que vai vir de diversas formas”.

A crise econômica que afeta as empresas, além das dificuldades  na divulgação do nome do investidor, colocam em xeque o modelo do vôlei. Por sua vez, clubes se apóiam em estruturas mais sólidas, com associados e torcedores identificados, o que pode gerar mais estabilidade e facilitar, inclusive, a troca de patrocinadores nos momentos difíceis.

Falando de futebol, como é de praxe, ainda precisamos criticar a administração dos clubes, mas o fato é que a estrutura de associados e o patrimônio dessas entidades faz dos clubes de futebol “empresas” imortais. Mesmo com péssimas campanhas, um clube consegue sobreviver, e mesmo atingindo o fundo do poço, consegue se reerguer. Isso diferencia o futebol clubista do vôlei empresarial.

Uma boa sorte ao basquete brasileiro, que estava mesmo precisando de pessoas competentes para transformá-lo, novamente, em um esporte profissional, seguro, rentável e vencedor.

Fonte: Máquina do Esporte.

Anúncios

Globo rebate declarações da Unisul.

A Unisul culpou a TV Globo pelo fim do investimento no time profissional de vôlei (ver post). A Rede Globo, por sua vez, rebateu a crítica e atribuiu ao momento econômico a culpa pelo fim dos patrocínios ao vôlei (antes da Unisul, Finasa, Ulbra e Brasil Telecom também haviam se retirado do vôlei profissional).

Já divulguei minha opinião sobre o assunto no post “Os patrocínios no esporte“. Entendo que a emissora deve evitar repetir o nome das empresas o tempo todo, pois precisa negociar com os anunciantes. Mas, a política de não falar nunca o nome dos investidores realmente prejudica o patrocínio. Deve haver um consenso, um meio termo, ou corremos o risco de ver o esporte profissional perder cada vez mais investidores.

Aqui vai a íntegra da nota da emissora:

Os critérios que orientam as decisões das equipes de jornalismo e de esportes da Globo, de citar e exibir marcas, atendem a uma finalidade: ajudar o público a reconhecer a existência de fronteiras entre editorial e comercial, além, é óbvio, de resguardar, legitimamente, o modelo de viabilização da TV aberta, cujo sustento deve advir exclusivamente da comercialização dos intervalos e de outros formatos comerciais.

Do ponto de vista editorial, a citação indiscriminada de marcas comerciais por parte de narradores, comentaristas e repórteres poderia induzir o público a erro de julgamento quanto a independência, isenção e integridade que estes profissionais obrigatoriamente devem manter com relação a equipes e eventos esportivos. Por isso, mesmo considerando que o mercado esportivo evoluiu muito nas últimas duas décadas, a TV Globo nunca abriu mão deste princípio editorial, sem, entretanto, deixar de cumprir o dever de informar.

A Globo considera que a visibilidade natural proporcionada aos patrocinadores de equipes e eventos, em transmissões e reportagens, por si só agrega valor às marcas e gera ganhos de imagem para as empresas investidoras no esporte, dado o imenso alcance de público da televisão aberta.

Além do propósito de apoiar o esporte, o expediente de utilizar marcas comerciais para dar nome às equipes e patrocinar ostensivamente projetos esportivos visa, evidentemente, à obtenção da chamada “mídia espontânea” – as empresas querem a citação gratuita das suas marcas, evitando adquirir espaço comercial para expor seus produtos ou serviços.

É curioso que, justamente no momento em que o mundo atravessa grave crise econômica, empresas aleguem que vão encerrar projetos esportivos porque suas marcas não são citadas. Ainda que estes projetos esportivos tenham recebido durante anos – às vezes décadas – o mesmo tratamento atual, o que prova terem sido vitoriosos e assegurado retorno para os patrocinadores que a eles se associaram.

A eventual frustração de empresas patrocinadoras por não terem conseguido, na Globo, a chamada “mídia espontânea”, na intensidade pretendida, reforça nossa convicção quanto ao acerto de nossas políticas.

Fonte: Máquina do Esporte.

Unisul deixa o vôlei e culpa a TV Globo.

vôlei unisulMais um investidor resolveu abandonar o vôlei profissional. Depois de Finasa, Ulbra e Brasil Telecom, chegou a vez da Unisul dizer adeus ao esporte profissional. A instituição de ensino manterá apenas os investimentos na base e assegura a permanência das bolsas de estudo a cem atletas.

Dessa vez o patrocinador apontou o dedo diretamente à TV Globo, acusando-a de ser a responsável pela debandada recente do vôlei brasileiro. A política da emissora de não mencionar o nome dos investidores (tema abordado no artigo “Os patrocínios no esporte“) prejudica a divulgação e desincentiva os investimentos.

Diz o comunicado da universidade:

“Ultimamente, a Unisul, para manter uma equipe competitiva, aceitou reduzir o seu nome no uniforme dos atletas e até em placas publicitárias, e preferiu silenciar-se diante da decisão da emissora de televisão, exclusiva na retransmissão dos jogos, de omitir o seu nome na identificação da equipe. Além disso, de cinco jogos exibidos ao vivo em 2008, apenas um mereceu transmissão simultânea este ano na emissora aberta, o que contribuiu à desistência de patrocinadores, que não renovaram os seus contratos ou que propuseram a redução de valores para a nova temporada”.

Infelizmente estamos diante de um caso grave de hipocrisia. A emissora de TV que pede mais patrocínios ao esporte esconde o nome dos investidores, gerando um desestímulo às empresas que querem associar sua marca ao esporte.

A TV Globo precisa rever a sua postura imediatamente, ou corremos o risco de ver cada vez menos empresas envolvidas com esportes como vôlei, basquete ou futsal. No futebol de campo ainda não existe tal problema. Mesmo assim, clubes como o “Pão de Açúcar” ou o “Red Bull Brasil” têm seus nomes alterados nas transmissões, o que prejudica o investimento.

Fonte: Máquina do Esporte.

Ex-Finasa deve permanecer em Osasco com a ajuda de empresários locais.

Depois da Finasa ter anunciado o fim do time profissional de vôlei, a prefeitura de Osasco começou a se mexer para tentar manter o time na cidade. Com uma boa articulação do prefeito, empresários locais garantiram o investimento para segurar o time na cidade.

O mundo gira e com a saída da Finasa outros investidores começaram a se interessar pela equipe, que é a atual vice-campeã da Superliga. A prefeitura de Barueri, o Botafogo e a Federação das Industrias de São Paulo (Fiesp) já haviam demonstrado interesse em assumir o time.

O vôlei é um esporte que cresceu bastante nas últimas décadas, graças aos bons resultados das nossas seleções. Com isso, o patrocínio a esse esporte apareceu como uma excelente ferramenta de divulgação e rejuvenescimento das marcas. O repatriamento de atletas da seleção tanto no feminino como no masculino também gerou uma grande valorização da Superliga.

Tudo indica que o vôlei não irá perder a equipe de Osasco e que a saída da Finasa só contribui para uma corrida de outras empresas em busca do time, o que pode gerar novos investimentos e impedir uma improvável recessão no esporte. O vôlei tende a continuar crescendo e atraindo grandes empresas, agora só precisa se expandir pelo Brasil, já que as equipes estão muito concentradas no eixo sul-sudeste.

Fonte: Máquina do Esporte

Debandada na Superliga de vôlei.

finasa-osascoA Finasa e a Brasil Telecom anunciaram a saída dos times da Superliga de vôlei feminino. Um prejuízo sem precedentes para o esporte que vinha em uma maré crescente nos últimos anos, inclusive com o repatriamento das atletas da Seleção.

A saída desses times pode ter um efeito devastador, inclusive impulsionando a saída de algumas atletas para o exterior. A liga já analisa a possibilidade de absorver essas atletas e inclusive montar uma Seleção permanente para poder impedir o êxodo.

A má notícia, porém, abre espaço para a entrada de outros times e outras empresas na competição. Se não estivéssemos em um momento de crise, apostaria em uma corrida pelo patrocínio de novos times de vôlei, já que a modalidade tem se mostrado extremamente interessante para os patrocinadores.

Temos que destacar que não se trata de simples patrocinadores, o Finasa, apesar de ser chamado de Osasco, não é um “patrocinador”, mas o próprio clube, assim como o Rexona/Ades, o Brasil Telecom. Isso levanta a velha polêmica com a Rede Globo, que se nega a mencionar o nome das empresas, apelidando os clubes com o nome da cidade.

Não existe um Clube Rio de Janeiro, o time se chama Rexona/Ades, não existe um Osasco, existe o Finasa. Essa falta de publicidade na principal emissora prejudica o patrocínio e pode ser apontada como uma das causas para a saída dessas empresas.

Depois de reclamar da falta de patrocinadores ao esporte, ao invés de incentivá-los, o que faz a emissora? Esconde-os. Não menciona os nomes e ainda esconde os “backdrops” (aquele painel que fica atrás dos entrevistados no futebol). Parece que a briga com a emissora está apenas começando, vamos esperar o desenrolar nos próximos anos.

Mas, a lei de incentivo ao esporte pode se tornar um instrumento para o retorno das empresas à modalidade. Como não é necessário o contrato de trabalho (exigência apenas do futebol), o esporte pode se mascarar atrás de “ajudas de custo”, mantendo-se amador e deixando aberta a possibilidade de investimentos com isenção fiscal.

Em breve se dará a largada na corrida pelos projetos relacionados ao vôlei. A expectativa é que as empresas retornem ao esporte, mas desta vez com isenção fiscal, o que pode, inclusive, fazer crescer os patrocínios.

%d blogueiros gostam disto: